sexta-feira, outubro 13, 2006

Frase da Semana - 35

Sinto que progrido na medida em que começo a não entender nada de nada.
Charles Ramuz

Há certas coisas que me fazem duvidar do rumo que o globo tomou.
É no contacto com o povo alentejano, sobretudo das aldeias mais remotas, que se sente toda uma cultura de respeito pelo próximo num simples gesto. Percebe-se que os gestos e atitudes têm um real valor naquele meio. A pessoa enquanto ser humano ainda existe.

Quando um professor chega à escola e é recebido por alunos aos gritos, por estarem prestes a ter a primeira aula de inglês, é algo de inimaginável nos dias de hoje.
Mas esta simples atitude, marcada pela inocência de crianças predispostas a aprender, vai tão mais longe que a própria atitude em si, já valorizada enquanto tal.

De nada serve ao homem conquistar a Lua se acaba por perder a Terra.
François Mauriac

Neste mundo de loucos, é nestes gestos simples e naturais que se sente a real matéria de que um povo é feito. Revejo nestas crianças o “eu” de raízes bem espetadas nesta terra alentejana que muitas vezes nos deixa secar. Sente-se a humildade de quem nada tem e para quem uma aula de inglês (que milhares de outras crianças, por este país fora, desprezam) é um novo mundo tão maior que o aquele que Colombo re-descobriu. Aqui, nesta terra genuína, o tempo passa mais devagar, e isso permite aproveitá-lo.

A humanidade marcha às arrecuas em direcção ao futuro, de olhos voltados para o passado.
Gugliemo Ferrero

Sinto-me tão deslocado na sociedade de hoje que, se a carteira permitisse, seria refugiado por vontade própria numa destas aldeias do Alentejo esquecido onde, felizmente, a inovação e modernidade insistem em não chegar. Insisto em ser eu, e isso é ser diferente. Diferente de quem se recusa a reflectir e a pensar. De quem se recusa a agir e se limita a reagir. De quem come, cala e arrota de indisposto, mas que come mais se outros comerem também.
Gostava de realmente aprender com gente sábia a escola da vida e os reais valores deste povo de lutadores anónimos. Olhemos atentamente para nós e para as vidas que levamos, aos trambolhões de um lado para o outro, a bater com a cabeça aqui e ali, quando, na realidade, para ser felizes e aproveitar a vida, é preciso muito menos que um telemóvel de 3 geração e meia, ou um plasma de 1200 polegadas, ou Internet de 1200 gigas. Quer-se tanto e corre-se tanto que as pessoas se esquecem de que vivem com pessoas e que nada há de mais valioso que a nossa formação pessoal, mesmo que tal só sirva para encher o “ego”. A sociedade esquece-se de viver; quando tudo o que é preciso é saúde para saber estar com o outro semelhante; conviver em sintonia com o que de melhor a Terra tem para nos dar e ensinar.
Um aparte (não tão aparte quandto isso), fiquei contente com um artigo que o Francisco me enviou por mail; o dito, o artigo, enfatizava o que em Portugal se fazia de bom (ver aqui, na casa do amigo Restaurador), mas poderemos considerar-nos “evoluídos” quando no mesmo quadrado de território há pessoas com fome?

3 Comentários:

Blogger Paulo Sempre said...

Interessante. Vou voltar..
Paulo

sábado, 14 outubro, 2006  
Anonymous Anónimo said...

God bless you

segunda-feira, 16 outubro, 2006  
Blogger D. Nuno Álvares Pereira said...

Ôbrigado pela visita, volte Sempre.

Anônimo:
God bless you too.

segunda-feira, 16 outubro, 2006  

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