quinta-feira, setembro 21, 2006

Concurso de Professores - Lado B

Que se tenha tentado fazer um concurso com menos confusões e respeitando os prazos creio que ninguém pode pôr em causa, mas a pressa em mostrar resultados borrou, e de que maneira, a pintura.

Com a antecipação do concurso para dia 18 de Agosto, a Direcção Geral de Recursos Humanos da Educação (DGRHE) colocou docentes dos Quadros de Zona Pedagógica (QZPs) antes de serem colocados ou considerados os docentes e os pedidos de requisição ou de destacamento. Isto obrigou a que estes docentes fossem colocados em escolas, onde viriam, mais tarde, a ser substituídos por contratados e não por QZPs.

Tudo bem, esses lugares deixados vagos têm que ser preenchidos. Mas onde reside(m) o(s) problema(s) causador(es) de injustiça(s)?

1.Reside no seguinte: todos os docentes de QZP que quisessem ser colocados nessas escolas (muitas vezes por proximidade à residência) já o foram noutras escolas, muitas vezes mais distantes, não tendo sendo aqui o tempo de serviço tido em conta para coisa nenhuma. Este problema é recorrente e não foi resolvido.

2.Tal como o tempo de serviço não é tido em consideração (nos casos que se enquadrem no problema anterior), também a ordem de preferência de escola que os QZPs escolhem é muitas vezes esquecida, dando a ideia de o concurso de professores é mais sorteio e menos colocação. Note-se: como pode o docente A, residente em X, que manifesta preferência em ser colocado nas escolas de X, e que é 5º na ordem de QZP ser colocado em Y e, no mesmo concurso, o docente B, 9º na ordem de QZP ser colocado em X? Não cheira a sorteio?

3.Outro factor causador de injustiça é o facto dos horário aparecerem nas Direcções Regionais de Educação (DREs) a conta-gotas, ou seja, a colocação nunca poderá ser justa e respeitar as preferências e tempos de serviço se os horários não forem submetidos a colocação em simultâneo. Assim sendo, acontece o mesmo problema do ponto 1.

4. Tendo, com as novas regras e aumentos de horas por docente, diminuído o número de docentes necessário, há QZPs onde havia professores sem horário (mais viriam a aparecer depois, como explico no ponto 3). Foi realizado um despacho pela Sr.ª Ministra em que estes docentes, com habilitações para 3º ciclo e Ensino Secundário passavam a poder ser colocados em horários de 2º ciclo (creio que os sindicatos dizem que o despacho é inconstitucional e vai contra o actual estatuto da carreira docente), mas, até aqui compreendo, se há um recurso que é pago, que se aproveite. O que não compreendo é porque é que em concurso estes professores não podem concorrer para o 2º ciclo se, agora, como dá jeito, o são obrigados a fazer? É injusto, pois é.
Mais, as DRE foram (creio que) aconselhadas (não sei se será o termo mais preciso) a não contratar pessoal, limitando-se a tentar dar resposta ao que aparecia com os docentes em QZP disponíveis, mas a emissora da ordem, a DGRHE, continuou a contratar docentes para horários onde já existem QZPs. Ou seja, ao tentar-se poupar, gastou-se mais, pois agora existem, nalguns casos, dois docentes para um horário.

Há uma clara tentativa de melhorar o sistema.
Há reformas que são necessárias.
Nem tudo o que tem sido feito por esta ministra é mau como transparece muitas vezes. Mas a justiça tem que existir sempre e neste concurso não existiu, tal como nos outros não existiu.

Para quando um modelo que tenha em conta as preferências dos professores e com base na residência?

Se muitos docentes são incompetentes (existem em todas as profissões bons e maus), muitos há que contra tudo e todos, tentam nas suas escolas, fazer mais e melhor pelo sistema de ensino, mas sobretudo pelos alunos, e à parte e independentemente das polémicas e de concordarem ou não com as medidas.
Como tal, um só prémio a nível nacional é manifestamente insuficiente, ainda mais quando o tempo disponível para a realização de novos projectos tem que sair das horas com a família, amigos etc. e não do horário de expediente.
É um primeiro passo, mas é curto.

Se algum dia voltar a dar aulas (ainda tenho à volta de 2000 pessoas à minha frente), serei contratado, logo, serei prejudicado pela justiça que clamo, mas justiça é justiça, e tem que ser feita.

1 Comentários:

Blogger AnaCristina said...

Concordo completamente contigo. Vejo colegas a serem ultrapassados por outros com menos tempo de serviço. Mas sabes o que faria justiça mesmo? Era uma avaliação a sério dos profs, limpar toda a porcaria que há e arranjar lugar para os competentes que não estivessem integrados no sistema ainda.
Um abraço

sábado, 23 setembro, 2006  

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