sexta-feira, março 31, 2006

Festa do Porco

A presente edição da Feira dos Enchidos de Alpalhão, no concelho alentejano de Nisa, realiza-se a 1 de Abril próximo. A iniciativa é um excelente momento para adquirir e provar os famosos queijos de Nisa e de Tolosa, bolos e doces tradicionais, pão, mel e todo o tipo de enchidos de porco: cacholeira, chouriço, linguiça, morcela, painho, entre outros.

Entre a malta a festança é chamada de Festa do Porco e vos garanto que uma visita vale a pena. Além da garantia de que serão bem recebidos, posso garantir que fazem cá umas iguarias...

Se puderem visitem, vão ver que não se arrependem.

Já agora, se quiserem saber mais sobre Alpalhão visitem Alpalhão on-line.

Cá vamos e do Canadá vimos

Enquanto no nosso rectângulo ibérico mais uma professora era agredida por um aluno do 5º ano (com 15 anos e que estará de volta à escola dentro de quinze dias, vai de férias!) e eram aunciados re-estruturações na função pública, os nossos compatriotas no Canadá, estão a ser expulsos.
Freitas do Amaral já disse que muitos dos conselheiros que a que os portugueses recorrem (e que são pagos ao preço do ouro) os aconselham a pedir asilo político, mas, e como revelou Freitas, esses pedidos sõ negados porque em Portugal não há perseguições de ordem política, reliogiosa e sexual. Será que se os tribunais canadianos equacionassem a hipótese da perseguição dos preços e das contas aos salários aceitariam os "refugiados" portugueses?
Mas só para os que lá ficam!

quarta-feira, março 29, 2006

Ora nem mais...

O colega JSM do Interregno escreveu este texto e que vai de encontro ao que pretendemos reavivar quando escolhemos este nome para o blog:
Sexta-feira passada, dia 17 de Março, a notícia de uma palestra sobre o Santo Condestável.
Oportunidade para ouvir de viva voz o Duque de Bragança falar daquele seu ilustre antepassado! A sul do Tejo, no salão paroquial da Igreja do Feijó e por iniciativa do Corpo de Escuteiros local.
Bela iniciativa e belo pretexto.Grande simplicidade como convém a um Santo, muita juventude, um livrinho a propósito e vamos lá reavivar os meus escassos conhecimentos:Rompeu com a linha dinástica, soube purificar a memória, não destruiu nada, acrescentou-lhe um novo conceito – Pátria! Deus, Pátria, Rei. Simples e eficaz! Herói da minha juventude, outro Galaaz ou Parcifal, foi perdendo fulgor, usurpado pelo regime usurpador. Esteve para ser saneado no 25 de Abril!!! Com outros egrégios Avós!!! Tal foi o uso que dele fizeram, a confundirem o povo, tantas estátuas e ruas...quando ele exigiria apenas o exemplo.Modelo para a juventude, a juventude não o conhece. Modelo de militar, os militares não o seguem. Modelo de dedicação ao próximo. O próximo que feche a porta!
A conversa seguia informal, o Senhor Dom Duarte falou da canonização em curso e do que isso representaria para Portugal. “Uma lança em África”, digo eu! Lembrando-me da sua insistência em participar, já velhote, na expedição a Ceuta!Mas um militar que mata castelhanos pode ser Santo? Na crueldade sem rosto do mundo de hoje, no tempo das ‘guerras preventivas’, a pergunta soa a falso. Nuno Álvares defendeu a Sua Pátria, não atacou ninguém. Poupou até ao limite a vida dos seus homens, e a dos seus inimigos! Que o respeitavam, que o admiravam.O povo dizia que ele era Santo! Então não há-de ser Santo quem, com o mundo a seus pés, abdica de tudo e entra para um Convento! E mesmo aí, nesse Convento do Carmo, escolhe um lugar subalterno, para se dedicar totalmente aos pobres, aos que tiveram menos sorte na vida.
Por esta altura o espírito do Beato Nuno de Santa Maria já invadia o salão paroquial, os escuteiros atentos, ainda ouviram o empenho com que sempre protegeu as minorias, mouros e judeus, em testemunhos que o tempo não apagou! Uma vez mais a deixar a sua marca intemporal!
Uma última questão. E se o Condestável aparecesse de novo, se visse tantos castelhanos, tanta Europa a dar as suas ordens por aqui, como reagiria? A pergunta está no ar e respondo eu: por muita compreensão e boa vontade que conseguisse angariar, estou convencido que Nuno Álvares Pereira, repetiria o gesto ameaçador que exibiu perante o embaixador castelhano: a cota de malha ainda ali estava debaixo do burel do monge, para o que desse e viesse.
O embaixador castelhano percebeu imediatamente a mensagem.
E entre nós, alguém percebe alguma coisa?

Derrubar um autêntico preconceito… o preconceito do Zé-povinho


Cada vez mais consideramos que o nosso país vai de mal a pior.

Hoje, já não acreditamos em nenhuma promessa dos políticos, dos empresários ou simplesmente do vizinho que dizemos delirar sempre que fala de recuperação da economia. Mas a verdade é que em outros tempos, também este sentimento foi uma constante, mesmo quando estávamos a crescer mais do que os outros.

Os nossos Portugueses nada tem a menos do que os espanhóis ou franceses, simplesmente tem momentos de pouca lucidez no que diz respeito ao seu próprio futuro.

Temos e podemos mais, não só ao nível da construção de novas ideias como ao nível de uma contínua vocação de crescimento e estabilidade económica. O que levou em minha opinião, os espanhóis crescerem tanto na última década, foi essencialmente eles acreditarem que podiam chegar onde os outros estavam e para onde eles queriam ir, e hoje são uma potência real.

Futebolizando o caso, vejamos por exemplo o que sucedeu à nossa selecção no Euro 2004, mesmo sem terem uma grande equipa, eles acreditaram e conseguiram chegar onde chegaram. Nós sabemos que podemos e queremos, só falta agora começar a trabalhar para tal. Somos grandes emas podemos ser maiores, basta querer.

As actuais OPA´S são mostra disso, Portugal está vivo, a dinâmica e a vontade de mais e melhor fazem crescer, sendo este o verdadeiro ponto de partida.

terça-feira, março 28, 2006

Frase da Semana - 13

( Imagem da final da TCE em 1961 - Barcelona 2 -Benfica 3)

Acreditar naquilo que é possível, não é fé, mas simples filosofia. (Força Benfica)

Thomas Browne

sexta-feira, março 24, 2006

Frase da Semana - 12


Esta a semana a frase só podia ser mesmo esta:

"Sofrimento que não mata, torna-nos mais fortes."

F. Nietzsche

Deverá um liberal festejar o “25 de Abril”?*

Estava a guardar este texto para o próximo mês mas opto por pô-lo já aberto à discussão e à refleão. Este texto li-o e copiei-o de um blog, mas não apontei qual era e agora não posso fazer referência, facto pelo qual peço desculpa.


*Por Luís Aguiar Santos

Ano após ano, as comemorações do "25 de Abril" estão enredadas numa série de equívocos que seria pueril esperar que políticos ou jornalistas desfizessem. Supostamente, festejamos nessa data a "democracia". Mas qual "democracia"? A que estava pressuposta no abraço frentista entre Álvaro Cunhal e Mário Soares dias depois do golpe de estado (que não seria muito diferente da dos oficiais da Coordenadora do M.F.A.)? Ou a que estava pressuposta na acção do general Spínola (e que, doa a quem doer, é aquela que hoje temos e quase todos defendem)?

Ao contrário do que possam pensar alguns distraídos, os liberais identificam-se com muito pouco no regime derrubado em 1974: não gostam de um figurino "constitucional" que limitara bastante as liberdades individuais instauradas no século XIX (e não na I República, como os mesmos distraídos pensam); não gostam da arbitrariedade com que o poder executivo se permitia violar as liberdades restantes; não gostam do monopólio político e sindical que o Estado patrocinava (União Nacional e estrutura corporativa); não gostam do regime económico profundamente regulado e proteccionista que fôra herdado do passado, mas que Salazar aperfeiçoara, sistematizara e tornara ainda mais pesado; não gostam da férrea regulação da educação e das actividades culturais que a burocracia e a polícia impunham.

Talvez tenham alguma simpatia pela geral ordem financeira em que o Estado vivia e pela política do "escudo forte"; mas, convenhamos, é pouco quando tanto estava tão mal. No que os liberais divergem dos "democratas de Abril" é no pouco entusiasmo com que olham para a cultura política que surgiu em 1974 como alternativa ao Estado Novo.

O "25 de Abril" não se fez em nome da experiência histórica do liberalismo que o republicanismo, primeiro jacobino e depois autoritário, interrompeu; fez-se em nome de uma míriade de socialismos coligados que iam fundar um "país novo" e que chegaram ainda a apresentar-se como nova "União Nacional democrática" no defunto M.D.P. (PCP+PS-PPD), como se ainda se vivesse, trinta anos depois, no equívoco frentismo anti-fascista de 1945.

Se essa "frente popular" tivesse seguido o seu curso, sem que a "maioria silenciosa" da sociedade civil tivesse forçado políticos como Mário Soares a corrigirem as suas opções, seria difícil aos liberais dizerem com clareza que a mudança valera a pena. Escolher entre a frente popular e Marcelo Caetano daria que pensar... No que ao "25 de Abril" em concreto diz respeito, a imagem de marca folclórica do frentismo socialista ficou-lhe colada e tem-se revelado impossível festejar "outro 25 de Abril".

Este monopólio esquerdista em torno da data tem tido vários efeitos inaceitáveis: a glorificação dos militantes comunistas opositores de Salazar, como se este fosse pior que o totalitarismo que os primeiros defendiam; a impossibilidade de se assumir os erros gravíssimos cometidos nas antigas províncias ultramarinas, entregues pela Coordenadora do M.F.A. aos aliados locais da União Soviética, numa estratégia que o P.C.P. manobrou e poucos à excepção dos spinolistas tentaram contrariar; a repetição ad nauseam da boutade da "revolução sem sangue" (claro que os que morreram nas provncias ultramarinas só em 1974-75 e que foram muitos mais do que as baixas dos dois lados durante a guerra de 1961-74 não são contabilizados porque já não são portugueses...); a dura verdade de que o país viveu em regime de ditadura militar e não em "democracia" nos anos de 74 e 75, com prisões arbitrárias, sem sistema judicial nem respeito pela propriedade privada, numa situação que só teve paralelo nas outras duas ditaduras oficialmente inexistentes da nossa história, as dos "governos provisórios" e das assembleias de partido único de 1820-1823 e 1910-1913; o esquecimento conveniente da incontornável verdade que a "obra social" do novo regime foi uma pura continuação dos programas sociais já delineados pelo Estado Novo, com a diferença da rédea livre dada à despesa pública.

Se quisessemos, como os liberais franceses do século XIX tentaram fazer com a revolução de 1789, distinguir no "25 de Abril" entre uma fase inicial, imaculada e generosa, e uma posterior degeneração jacobina (ou, neste caso, socialista), ficaríamos limitados a uma nesga de tempo que dificilmente permitiria comemorar "outro 25 de Abril". É que logo a 1 de Maio, quando a esquerda (melhor dizendo, os comunistas) tomou as ruas, ficou patente quem teria força para imprimir à revolução a direcção e a cor que lhe construiriam a identidade.

Apesar da resistência civil à esquerda militar e militante, a normalização de 1976 veio a fazer-se com uma vitória ideológica inequívoca do socialismo, que só o pragmatismo dos políticos e a realidade das coisas foi forçando a esbranquiçar em sucessivas revisões constitucionais. Onde, nesta "herança de Abril", os liberais se podem situar não é nada claro. Em Spínola? Na tímida e lenta liberalização do regime?

Mas será isso ainda o "25 de Abril"?



Abril de 2004 - Luís Aguiar Santos

quarta-feira, março 22, 2006

desculpem mas não resisto

Apesar de todos os problemas com que este blog se tem deparado, e contra os quais o D. Nuno se encontra em cruzada, não resisto a comentar uma notícia de hoje...

"PSD Madeira 'acaba' com 25 de Abril" in DN 22-03-2006

Naturalmente sou suspeito ao comentar esta notícia, gosto da Madeira e do seu governo, de tal forma que acho que mereciam ser um país...

Quer se concorde ou não com tudo o que se passou no 25 de Abril de 1974 e mais concretamente no "pós 25 de Abril", o dia 25 de Abril deverá representar para todos nós, nos nossos dias, com o povo mais sereno e algumas feridas saradas, o dia em que se comemora o regime no qual vivemos, e que por sinal até é o regime Democrático, a grande conquista desse dia de Abril... a liberdade, não só de expressão mas essencialmente a de escolha, o "povo passou a escolher aquilo que acha ser melhor".

Não deixa de ser curioso que após três décadas ainda haja quem considere a revolução dos cravos como "simplesmente inoportuna"...

Para todos aqueles que neste momento possam estar a planear uma Revolução, queiram, por favor, agendá-la para data oportuna... para que possa ser celebrada por todos os Cubanos, perdão, por todos os Portugueses!

terça-feira, março 21, 2006

problemas com o blog

Não sei o que se passa, mas na semana passada, não nos deixavam aceder ao blog.
Quando finalmente conseguimos aceder, vestimos a "fatiota" nova e tinhamos dado por fechado o novo look. Agora isto, desapareceu não só o fato novo (deixando-nos em tanga) mas também todos os nosso links!
E logo hoje que o Dia Mundial da Poesia e da Árvore mereciam um espírito de harmonia e calma para reflexão.
Lá teremos que reformular tudo novamente. Pedimos a compreensão de todos e agradecemos que deixem aqui os vossos links de modo a serem repostos o mais rápido possível.

quarta-feira, março 15, 2006

O cerco

Já faltou mais para que um dia destes tenha de passar à clandestinidade ou, no mínimo, tenha de me enfiar em casa a viver os meus vícios secretos. Já faltou mais para que um dia destes tenha de passar a clandestinidade ou, no mínimo, tenha de me enfiar em casa a viver os meus vícios secretos. Tenho um catalogo deles e todos me parecem ameaçados: sou heterossexual «full time»; fumo, incluindo charutos; bebo; como coisas como pézinhos de coentrada, joaquinzinhos fritos e tordos em vinha d'alhos; vibro com o futebol; jogo cartas, quando arranjo três parceiros para o «bridge» ou quando, de dois em dois anos, passo à porta de um casino e me apetece jogar «black-jack»; não troco por quase nada uma caçada às perdizes entre amigos; acho a tourada um espectáculo deslumbrante, embora não perceba nada do assunto; gosto de ir a pesca «ao corrido» e daquela luta de morte com o peixe, em que ele não quer vir para bordo e eu não quero que ele se solte do anzol; acredito que as pessoas valem pelo seu mérito próprio e que quem tem valor acaba fatalmente por se impor, e por isso sou contra as quotas; deixei de acreditar que o Estado deva gastar os recursos dos contribuintes a tentar reintegrar as «minorias» instaladas na assistência publica, como os ciganos, os drogados, os artistas de varias especialidades ou os desempregados profissionais; sou agnóstico (ou ateu, conforme preferirem) e cada vez mais militantemente, na medida que vou constatando a actualidade crescente da velha sentença de Marx de que "a religião é o ópio dos povos»; formado em direito, tornei-me descrente da lei e da justiça, das suas minudencias e espertezas e da sua falta de objectividade social, e hoje acredito apenas em três fontes legítimas de lei: a natureza, a liberdade e o bom senso.
Trogloditas como eu vivem cada vez mais a coberto da sua trincheira, numa batalha de retaguarda contra um exercito heterogéneo de moralistas diversos: os profetas do politicamente correcto, os fanáticos religiosos de todos os credos e confissões, os fascistas da saúde, os vigilantes dos bons costumes ou os arautos das ditaduras «alternativas» ou «fracturantes». Se eu digo que nada tenho contra os casamentos homossexuais, mas que, quanto à adopção, sou contra porque ninguém tem o direito de presumir a vontade «alternativa» de uma criança, chamam-me homofónico (e o Parlamento Europeu acaba de votar uma resolução contra esse flagelo, que, como está à vista, varre a Europa inteira); se a uma senhora que anteontem se indignava no «Público" porque detectou um sorriso condescendente do dr. Souto Moura perante a intervenção de uma deputada, na inquirirão sobre escutas na Assembleia da Republica, eu disser que também escutei a intervenção da deputada com um sorriso condescendente, não por ela ser mulher mas por ser notoriamente incompetente para a função, ela responder-me-ia de certeza que eu sou "machista» e jamais aceitaria que lhe invertesse a tese: que o problema não é aquela deputada ser mulher, o problema é aquela mulher ser deputada; se eu tentar explicar por que razão a caça civilizada é um acto natural, chamam-me assassino dos pobres animaizinhos, sem sequer quererem perceber que os animaizinhos só existem porque há quem os crie, quem os cace e quem os coma; se eu chego a Lisboa, co­mo me aconteceu há dias, e, a vinte quilómetros de distancia num céu límpido, vejo uma impressionante nuvem de poluição so­bre a cidade, vão-me dizer que o que incomoda verdadeiramente é o fumo do meu cigarro, e ate já em Espanha e Itália, os meus países mais queridos, tenho de fumar envergonhadameme à porta dos bares e restaurantes, como um cão tinhoso; enfim, se eu escrever velho em vez de «idoso», drogado em vez de «toxicodependente», cego em vez de «invisual», preso em vez de «recluso» ou impotente em vez de «portador de disfunção eréctil", vou ser adoptado nas escolas do país como exemplo do vocabulário que não se deve usar. Vou confessar tudo, vou abrir o peito as balas: estou a ficar farto desta gente, deste cerco de vigilantes da opinião e da moral, deste exército de eunucos intelectuais.
Agora vêm-nos com esta historia dos "cartoons» sobre Maomé saídos num jornal dinamarquês. Ao princípio a coisa não teve qualquer importância: um «fait-divers» na vida da liberdade de imprensa num pais democrático. Mas assim que o incidente foi crescendo e que os grandes exportadores de petróleo, com a Arabia Saudita à cabeça, começaram a exigir desculpas de Estado e a ameaçar com represálias ao comercio e às relações económicas e diplomáticas, as opiniões publicas assustaram-se, os governantes europeus meteram a viola da liberdade de imprensa ao saco e a sr.ª comissária europeia para os Direitos Humanos (!) anunciou um inquérito para apurar eventuais sintomas de «racismo» ou de «intolerância religiosa» nos cartoons profanos. Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os «cartoons», mas de quem os publica!
A Dinamarca não tem petróleo, mas é um dos países mais civilizados do mundo: tem um verdadeiro Estado Social, uma sociedade aberta que pratica a igualdade de direitos a todos os níveis, respeita todas as crenças, protege todas as minorias, defende o cidadão contra os abusos do Estado e a liberdade contra os poderosos, socorre os doentes e os velhos, ajuda os desfavorecidos, acolhe os exilados, repudia as mordomias do poder, cobra impostos a todos os ricos, sem excepção, e distribui pelos pobres. A Arábia Saudita tem petróleo e pouco mais: é um país onde as mulheres estão excluídas dos direitos, onde a lei e o Estado se confundem com a religião, onde uma oligarquia corrupta e ostentatória divide entre si o grosso das receitas do petróleo, on­de uma policia de costumes varre as ruas em busca de sinais de "imoralidade privada», onde os condenados são enforcados em praça pública, os ladrões decepados e as «adulteras» apedrejadas em nome de um código moral escrito há quase seiscentos anos. E a Dinamarca tem de pedir desculpas à Arábia Saudita por ser como é e por acreditar nos valores em que acredita?
Eu não teria escrito nem publicado «cartoons» a troçar com Maomé ou com a Nossa Senhora de Fátima. Porque respeito as crenças e a sensibilidade religiosa dos outros, por mais absurdas que elas me possam parecer. Mas no meu código de valores — que é o da liberdade — não proíbo que outros o façam, porque a falta de gosto ou de sensibilidade também tem a liberdade de existir. E depois as pessoas escolhem o que adoptar. É essa a grande diferença: seguramente que vai haver quem pegue neste meu texto e o deite ao lixo, indignado. É o seu direito. Mas censurá-lo previamente, como alguns seguramente gostariam, isso não. É por isso que eu, que todavia sou um apaixonado pelo mundo árabe e islâmico, quanto toca ao essencial, sou europeu - graças a Deus. Pelo menos, enquanto nos deixarem ser e tivermos orgulho e vontade em continuar a ser a sociedade da liberdade e da tolerância.
© Miguel Sousa Tavares - Jornal "Expresso" - 04.02.2006

terça-feira, março 14, 2006

Frase da Semana - 11



Ter um espírito aberto não é tê-lo escancarado a todas as tolices.

Jean Rostand

Tolerância como?

Como posso ser tolerante com o mundo que cresce à minha volta, se um miúdo com 14 anos, que agride uma professora, vários colegas, é dealer intra-escola e vai para o hospital com uma over-dosis, regressa à escola passados quinze dias sem que nenhuma medida especial seja tomada?
Como posso ser tolerante, se por ter escolhido o caminho correcto, longe de todos os problemas que recusei, evitei ou resolvi, sou prejudicado e além de ter dificuldades em ter um emprego estável, tenho também dificuldades em aguentar o crédito à habitação (que me foi concedido a muito custo) enquanto a pessoas que nada fizeram para ter o que fosse são oferecidas casa e trabalho porque são coitadinhos?
Como posso ser tolerante se por tentar fazer e dar sempre o melhor de mim, em tudo o que faço (seguindo a máxima de Pessoa) elevo e mantenho o nível esperado que não é valorizado; enquanto outros, por ideias tidas na casa de banho, que nada fizeram até aqui,que nenhuma prova de competência deram, são elogiados por terem uma ideia (codigna do sítio onde foi pensada!)?
Será que devo limitar-me a existir e não a Ser?

Transferência

Jorge M Ferreira, ex-Infocalipo, transferiu-se para o Aljubarrota.
Após ter passado o testemunho, Jorge M Ferreira, não confundir com o Jorge Ferreira do Tomar Partido,passará a escrever, como já notaram, para este blog.

Um mundo…duas religiões


Desde sempre que no mundo em que vivemos as desigualdades entre povos foi uma realidade. Sempre houve diferenças entre povos, escravos e livres, mesmo entre preto e branco, mas o mundo nunca compreendeu na verdade a criação de Deus que é.

Hoje, séculos depois de muitas civilizações diferentes, compreendemos que nada mudou; desde a época dos romanos ou mesmo das guerras nazis, o que sempre existiu foi não uma luta entre países, mas sim entre religiões e formas de viver. O mundo Árabe de um lado e um mundo ocidental de outro.

Ao longo dos últimos 50 anos, vimos nos países árabes diversas guerras religiosas e lutas que tem trazido um rio de sangue, que corre entre Israel, Paquistão, Palestina, Iraque e Irão, entre outros. O mundo simplesmente olhou e assistiu às diversas atrocidades que foram sendo feitas. Mas o fenómeno ameaçava espandir-se.

Depois de uma guerra do Golfo no Iraque, que teve sempre como puro objectivo o controlo do petróleo, tanto por parte do Iraque com a invasão do Koweit, como com o posterior interesse dos EUA, o mundo percebeu que não iríamos ficar por ali. A verdade é que já na Israel e na Palestina, as coisas não eram muito diferentes: uma guerra pessoal, entre dois países que se odeiam porque todos ganham se assim for, nem que sejam sete virgens!

Mas não era suficiente, era preciso que o ocidente ohásse com mais atenção e surgem os atentados de 11 de Setembro e 11 de Março para mostrar ao mundo que eles existem. As populações civis são o alvo mais fácil e mais rentável em protagonismo.

Que mais iria acontecer? A polémica dos cartoons e as manifestações e consequências do que seria o exercício de um liberdade que se julgava ter. A semana passada, no Paquistão, 50.000 crianças foram dispensadas das aulas para pedirem a morte dos cartonistas. Tudo muito certo!

Mas podemos perguntar o que irá suceder a esta guerra fanática religiosa cada vez mais próxima de nós?
O mundo mudou e cada vez mais a globalização abriu espaço para maiores radicalismos, como sempre vimos ao longo da história. A fome, o subdesenvolvimento e a falta de assistência são razões lógicas para o despoletar de revoltas.

Penso que, de uma forma ou outra, equilíbrio harmonioso é a solução, mas conseguirá Jesus entender-se com Alá?

sexta-feira, março 10, 2006

Frase da semana - 10


Saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo.
Victor Hugo

quinta-feira, março 09, 2006

A palavra do leitor - João Santos

ARRAIOLOS EM RISCO DE DESERTIFICAÇÃOMUITO PREOCUPANTE...
O concelho de Arraiolos, é uma das zonas do país mais sujeito à desertificação, isto de acordo com dados referentes a uma conferência sobre desenvolvimento rural e desertificação. Lúcio do Rosário, do Programa de Acção Nacional de combate á desertificação, disse que, a desertificação tem várias causas e que, no concelho de Arraiolos, as freguesias de São Gregório e Santa Justa, são as mais susceptíveis, acrescenta mesmo que a densidade populacional, é igual á do deserto do Saara. Próximas destes valores estão também as freguesias do Vimieiro e da Igrejinha o mesmo acontecendo com a sede de concelho. O especialista afirma ainda que têm de ser dados passos para a fixação de pessoas, nestas zonas rurais, porque correm o risco de desaparecer daqui a alguns anos.

A palavra do leitor - Francisco M Silva

Foram-nos enviados para o e-mail, por Francisco M Silva, os seguintes dados sobre o Alentejo. É um bom ponto de artida para o debate sobre a desertificação do Alentejo.

RANKING DA POPULAÇÃO DO DISTRITO DE ÉVORA (FONTE INE)
POR TOTAL DO CONCELHO

1º-ÉVORA-56525
2º-MONTEMOR-18578
3º-ESTREMOZ-15677
4º-VENDAS NOVAS-11588
5º-REGUENGOS MONSARAZ-11382
6º-VILA VIÇOSA-8871
7º-BORBA-7782
8º-ARRAIOLOS-7616
9º-REDONDO-7288
10º-PORTEL-7109
11º-ALANDROAL-6585
12º-MORA-5788
13º-VIANA-5615
14º-MOURÃO-3230

RANKING DA POPULAÇÃO DO DISTRITO DE ÉVORA:
POR POPULAÇÃO NA SEDE

1º-ÉVORA-39497
2º-MONTEMOR-11009
3º-VENDAS NOVAS-10826
4º-ESTREMOZ-8956
5º-REGUENGOS MONSARAZ-7058
6º-REDONDO-6015
7-ºVILA VIÇOSA-5442
8-ºBORBA-4633
9-ºARRAIOLOS-3549
10-ºVIANA-2828
11-ºPORTEL-2825
12-ºMORA-2820
13-ºMOURÃO-2111
14-ºALANDROAL-1938

Educação, escola e o Prof – 3

No capítulo anterior referi que ninguém se atreve a apontar com certeza quais as incumbências do papel do professor, no entanto, tentarei dar algumas ideias.
O conceito sociológico de papel é extremamente complexo e Hoyle referiu que este conceito implicava:
- um status (uma posição específica na sociedade e que advém consideração e reconhecimento que a sociedade tem pelo indivíduo e do papel que o mesmo representa na sociedade)
- um padrão de comportamentos (associado à posição que ocupa)
- um padrão de expectativas sociais (a forma como o indivíduo deve agir)
O conceito de papel pode, não só, ajudar-nos a compreender a forma como as relações podem ser controladas pelas expectativas, como também quais as funções que o professor desempenha nos variados níveis e estruturas sociais (na escola, na comunidade etc).

O papel de professor é extraordinariamente complexo e pleno de ambiguidades e contradições; e note-se a importância do professor e de tudo o que lhe é exigido, em comparação com o reconhecimento dado ao mesmo, tanto a nível social como remuneratório. Outra contradição, é o facto de o professor ao mesmo tempo que tem que exercer a autoridade tem que, e deve, estabelecer laços afectivos com os alunos, entre outros exemplos.
Os professores constituem, na actualidade, um dos maiores grupos profissionais do país e o mais numeroso grupo profissional de t+rabalhadores intelectuais. Trabalhando no quadro do sistema educativo português, público e privado, mais de 200.000 professores, pode calcular-se que os professores representam cerca de 4% do total da população empregada no nosso país.
A dimensão actual da profissão docente constitui, simultaneamente, a razão da sua força e da sua fraqueza. Força que decorre precisamente de ser o mais numeroso grupo profissional de entre os que se encontram ligados ao trabalho intelectual. Fraqueza na medida que advém da heterogeneidade da sua composição e dos custos totais elevados que representa qualquer medida com incidência financeira.
Até meados dos anos sessenta, como escreveu Gilles Ferry, a actividade do professor tinha como referência um modelo de “bom professor". Este exercia uma função social essencial, era um modelo moral e político, não apenas porque era tomado como um cidadão exemplar, mas também porque era visto como um sacerdote ao serviço do saber.
Ser professor era a manifestação de uma vocação ou missão transcendente, não o exercício de uma profissão.

quarta-feira, março 08, 2006

Hoje somos todos


BENFICA


Até eles.

sexta-feira, março 03, 2006

A ciência de cortar o cabelo


Lembro-me da minha tenra infância de me sentar na tão temida cadeira do barbeiro. Era o sítio onde se ia não só para barba e cabelo mas também para se falar, talvez por isso o meu avô me levava lá tantas vezes.
Os poucos laivos de consciência que tinha então faziam-me temer ficar sem uma orelha, tal o estado de alcoolismo do senhor que me esperava de navalha e tesoura na mão. Esse temor agravou-se com um corte ou outro e comecei a ir ao cabeleireiro.
Com o fim do curso, as mudanças de emprego e de casa, inevitavelmente, os hábitos mudam e regressei às origens, o que no caso quererá dizer, ao barbeiro.
Sempre que preciso de um corte, no cabelo, lá me dirijo à barbearia perto da Praça do Geraldo, aquela ao lado do Banco de Portugal, que tem até umas escadinhas…
É um ambiente sempre agradável, sobretudo se formos antes ou depois de um fim-de-semana futebolístico. Inevitável tema de conversa: o Benfica. Por entre pessoas que entram e saem, cada um manda a sua boca ao ar, e o barbeiro lá responde: “A culpa dos árbitros!”
Depois, já mais calmo, lá vem a conversa: “Você não se lembra, mas no tempo do Eusébio… aquilo é que era jogar! Hoje só querem dinheiro e a gente é que sofre.”

Ao som do omnipresente rádio, sintonizado numa estação que ninguém conhece, lá salta a navalha do bolso pronta a trabalhar, nas mãos hábeis de quem só fez aquilo a vida toda.
No barbeiro, não tenho que ouvir as mal-dizências e as invejas das senhoras que vão ao cabeleireiro (neste aspecto, Évora é uma aldeia grande), fala-se de dantes e de agora, da bola, do mal que as coisas estão, e tudo com a simplicidade e sabedoria de quem observa e vê passar o mundo e o tempo através do vidro da janela.

Sinto-me bem quando lá vou, os problemas ficam à porta, é como um time-out ao stress quotidiano e à pressão dos minutos.
“E o senhor… é curto?”
Bom fim-de-semana

quinta-feira, março 02, 2006

Economia dos impostos

Gostaria de agradecer a oportunidade e grande honra que me foi dada há já algum tempo de ser um "co-autor" deste blog, assim, a partir de hoje espero ter algum tempo para aqui vir, exprimir os meus (gostaria de salientar a palavra MEUS) comentários e opiniões...

Tenho este estranho vício de achar que as empresas são o centro de toda a economia e que por essa mesma razão deverão ser estimuladas e defendidas. Talvez porque ache que acima de capitalismo a palavra empresa contém a palavra emprego, não sei, talvez seja só uma mania minha...

Todos nós já ouvimos falar em globalização e nos seus efeitos preversos na deslocalização de empresas em busca de mão-de-obra mais barata, alguns há que poderão já ter ouvido falar em deslocalização por motivos fiscais, e por esse motivo, a palavra paraíso fiscal soar algo familiar.

Pois bem, a Derrama é uma espécie de imposto municipal que incide sobre o IRC pago pelas empresa, o seu valor é decidido pela Assembleia Municipal e pode variar entre 0 e os 10% do Imposto a entregar ao Estado.

Neste momento em Vila Viçosa, e desde há alguns anos a derrama corresponde à taxa máxima de 10%, no concelho de Estremoz a taxa é de 8%, em Borba e Redondo a taxa é de 0%, pelo que se uma empresa tiver de pagar de IRC 1000 euros ela na prática em Vila Viçosa paga 1100 enquanto que em Estremoz pagará somente 1080 e em Borba ou em Redondo pagará 1000.


Isto resulta num claro desincentivo para as empresas operarem em Vila Viçosa, já que o parque industrial de Borba fica somente a 4km do Paço Ducal, e isso representa menos 10% de imposto a pagar, poderemos assistir num curto prazo a um processo de deslocalização das empresas de Vila Viçosa mas não para o leste europeu, mas sim para norte ( talvez para Borba) como consequência de um efeito preverso da municipalização...

Em nota final resta acrescentar que a taxa de Estremoz no ano passado era 0% e que este ano passou para 8%, uma grande agravamento, pelo que, no fundo, a diferença para este concelho, esbate-se um pouco.

Será que ainda há razões para existirem/criarem empresas em Vila Viçosa?