“Ele disse que ia andar por aí quando saiu à pressa do Palácio de S. Bento, por iniciativa inédita do Presidente da República, Jorge Sampaio, após dissolução do Parlamento.
Eu via nele o homem capaz de liderar o país e de o motivar (muitas discussões mantive com o Francisco Figueira, (do Geraldo Sem Pavor), acérrimo defensor de Durão, sobre este tema). No entanto, Santana, após a chave do poder do PSD e da governação do país lhe cair nas mãos, por culpa e incapacidade pessoal ou por más companhias e erros na escolha da sua equipa, mostrou-se incapaz de manter a estabilidade. É óbvio que a “conspiração” dos media em torno da sua governação foi determinante para empurrar para baixo a opinião pública, relativamente ao seu governo, mas a queda do governo santanista não se deve exclusivamente a isto.
Com a dissolução do parlamento, fomos para eleições e foi aí que surgiu a polémica dos outdoors com a foto de Cavaco e Sá Carneiro.
Santana nunca digeriu a recusa de Cavaco em fazer parte da “foto de família” e vem agora a público assumir, ao não apoiar Cavaco, que está contra ele.
Esta pequena vingança do “enfant terrible” mostra alguma falta de carácter e discernimento e, como o tempo e os próximos resultados eleitorais o demonstrarão, poderá significar o adeus definitivo de Santana aos grandes palcos da política portuguesa.
Contudo, e embora seja compreensível do ponto de vista pessoal, esta atitude demonstra que no PSD, como no país, ainda há alguns cantos por varrer e que há sempre alguém, sedento de protagonismo e poder, à espreita para puxar o tapete ou para espetar uma faquita nas costas.
Para quem esteve calado tanto tempo podia ter continuado mais uns meses, mas perdeu mais que o que possa vir a ganhar com estas declarações.
Portugal perde assim um bom presidente de câmara e eu fico ainda mais desiludido com as atitudes de pessoas que eu julgava capazes de dar rumo a Portugal.
Esta atitude de Santana, com este timming que não é inocente, equipara-se aos vergonhosos tempos de antena de Francisco Louça, que servem única e exclusivamente para denegrir a candidatura de Cavaco.
É tempo de acabar com esta escória que descredibiliza a classe política e que semeia a cultura do “tá-se bem” e “do deixa andar”; a mesma que se aproveita, em benefício próprio, do populismo de ideias e invenções em que nem eles acreditam; isso sim é demagogia!
É necessário respeito e dignidade, e é por Cavaco não basear a sua candidatura em denegrir a imagem dos outros candidatos, que sobe a cada sondagem.