terça-feira, outubro 25, 2005

D. Sebastião a votos?

(...)
Vibra, sem lei ou com lei,
Como aclamaste outrora em vão
O morto que hoje é vivo —
El-Rei D. Sebastião!

Vibra chamando, e aqui convoca
O inteiro exército fadado
Cuja extensão os pólos toca
Do mundo dado!

Aquele exército que é feito
Do quanto em Portugal é o mundo
E enche este mundo vasto e estreito
De ser profundo.

Para a obra que há que prometer
Ao nosso esforço alado em si,
Convoco todos sem saber
(É a Hora!) aqui!
(...)

Era assim que Pessoa reavivava o mito do Quinto Império lançado pelo Padre António Vieira.




Agora é bradado o nome de Cavaco Silva como salvador da nação, como o novo D. Sebastião e, à sua maneira, poderá sê-lo, reservando as condicionantes que tem um lugar meramente representativo como é o de Presidente da República, no entanto, vem no meio de uma grande névoa política e económica no universo europeu que não deixa antever nenhum futuro, e vem do Sul, não de Marrocos, mas de Boliqueime.

A ala esquerda diz agora a Portugal que se lembre do que ele fez, no entanto, caso as pessoas se lembrem do que ele fez e também do que fizeram todos os governos que se seguiram (como é dito no "Geraldo"), poderá ser que votem mesmo em Cavaco.

Indubitavelmente, Cavaco é o melhor candidato, até para Sócrates, pois Cavaco sabe o que é necessário ao país, tal como sabe que muitas das medidas que Sócrates tem tomado, são inevitáveis, e apoia-as do ponto de vista económico. Isto terá, por certo influenciado a escolha de Soares para candidato,e, se assim foi, Sócrates é um político genial.

Sobre as presidenciais creio ainda que Mário Soares perdeu a última oportunidade de sair da política pela porta grande e é o candidato que Sócrates escolheu para ser sacrificado em nome do PS, tendo em conta o que referi anteriormente.

Manuel Alegre merece o meu respeito e consideração pelo escritor que é e pela defesa intransigente que faz dos valores em que acredita, pela mostra de civismo e cidadania (embora tenha errado redodamente ao fazer o anúncio da sua candidatura num evento do PS).
Um homem assim, que dá a cara por aquilo em que acredita e que não segue uma corrente só porque é mais fácil, merece respeito.

Louçã e Jerónimo seguem o perfil habitual e terão o seu eleitorado base normal.
Resta ao PP decidir se avança com candidato próprio ou não. Avançar poderia significar a rotura das alianças PSD/PP, mas Cavaco já se precaveu disso e protegeu o partido (que o apoiará uno e incondicionlmente) dissociando-so do mesmo no anúncio da sua candidatura.

Cavaco referiu que é um candidato independente e que é de centro esquerda, por certo por saber que ala direia só por si, seria insuficente para ganhar as eleições (partindo do pressuposto que só haverá um candidato desta parte) e porque divindo ainda mais o centro-esquerda em número de votos poderá ganhar logo na primeira volta.

O facto de cada partido de esquerda apresentar o seu candidato e da candidatura de Manuel Alegre poder causar algumas rupturas intra-PS, pode significar a vitória de Cavaco, se bem que a desistência de algum candidato a favor de outro pode mudar alguma coisa, no entanto, só Louçã terá legitimidade para o fazer, pois Jerónimo deu a palavra como desta vez era par air até ao fim e Alegre não moveria montanhas para parar a meio da corrida.

Vamos ver como se porta o eleitorado.

Cavaco cria e tem muitos inimizades à esquerda, mas para o Governo PS de Sócrates é uma lufada de ar fresco, penso eu de que!

4 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Quanto a mim, D. Sebastiao já morreu vai para cima de 400 anos, há muito tempo que deixei de acreditar no seu regresso.

Quanto ao Cavaco, assumo claramente que não gosto, não gosto da sa postura, e claramente não sou apioante do seu trabalho.

Acho que o Cavaco sofreu aquilo que em história se poderá chamar uma lavagem temporal.

Quando saiu era um mal amado as pessoas estavam insatisfeitas, e a grande prova é que entre ele (na altura Primeiro Ministro com maioria absoluta) e um presidente da Camara de Lisboa, o povo inequivocamente elegeu para Presidente da Republica, este último, no caso, Jorge Sampaio.

Cavaco sofre uma grande azia com a derrota, afasta-se da vida politica e de repente, passados somente dez anos é visto como um salvador da pátria.

Para quem já não se lembre, Anibal Cavaco Silva já esteve no poder durante 10 anos, e do que é que ele nos salvou?

Por acaso, não era ele O Primeiro Ministro e iluminado em Economia quando em 1993 o país entrou em recessão apesar dos camioes de dinheiro que vinham de Bruxelas?

Parece que a memória do país é curta, ou talvez não o seja...

Cá estaremos para o comprovar, agora acho que Cavaco ganhou alguma vantagem por não falar, coisa tipica nas ultimas eleições nacionais,ganha quem menos fala,debate, enfim quem menos se expõe,(ex. Sócrates e Durão) mas ele terá de falar.... ou talvez não, já que é visto por todos como o vencedor antecipado, assim, para quê eleições??

Quanto às eleições no seu geral espero que seja uma campanha cosntrutiva e rica em debates, penso que o grande vencedor para já é Manuel Alegre, começa a reunir alguns apoios de peso, mas acima de tudo começa a receber o reconhecimento algo tardio por parte de povo...

Por último, peço desculpa pelo tamanho do post e cito um excerto de um bom artigo de opinião de Manuel Alberto Valente no DN de hoje:

"O que atrai grande parte do eleitorado para Cavaco é uma certa ideia de disciplina, de domínio da área económica, de capacidade para aglutinar os descontentes da actual situação política. É preciso explicar que essas características, a serem verdadeiras, se prendem com as funções de primeiro-ministro - e que, para o que conta, a Presidência da República, Cavaco não tem o perfil adequado.

Manuel Alegre, pelo contrário, tem perfil a postura de um chefe de Estado, uma obra que faz dele um dos grandes intelectuais portugueses do seu tempo, patriotismo indefectível, uma integridade moral a toda a prova, prestígio internacional como escritor e resistente. Ele é, e sempre foi, um homem de esquerda. E por isso a esquerda, toda a esquerda, deve apoiá-lo. Na certeza de que, à direita e ao centro, também muitos verão nele, mais do que em Cavaco, o homem que pode, em Belém, ser o rosto de uma Pátria à procura de novas Descobertas. Para que chegue, como dizia Sophia de Mello Breyner, "o dia inicial inteiro e limpo".

Cumprimentos a todos,

FC

quarta-feira, 02 novembro, 2005  
Blogger D. Nuno Álvares Pereira said...

Ultimamente a disponibilidade para actualizar o blog não tem sido muita, no entanto, o comentário do meu grande amigo FC só vem reiterar o que disse no post:

Cavaco provoca muitas inimizades à esquerda e os dirigentes PS e a maioria dos seus eleitores votarão em candidatos diferentes.


Quanto ao facto de Cavaco ter perdido as eleições presidencias para Sampaio tal tem uma explicação muito lógica, Cavaco foi primeiro ministro durante dois mandatos, Sampaio era um presidente de câmara desconhecido da maioria dos portugueses. O desgaste da imagem de um e outro são completamente diferentes! Até porque as responsabilidades e as decisoes não saõ passíveis de equiparar.

Os camiões de dinheiro que vieram de Bruxelas foram parar às garagens privadas de alguns "todos-poderosos" e aí apanha tudo e todos em termos político partidários. Os camiões de dinheiro serviram para comprar jipes em vez de desenvolver as culturas e trabalhar a terra com novas técnicas e serviram ainda para garantir uma vida acima da média a quem arranjou uma desculpa para não ter que produzir.

Os camiões de dinheiro perderam-se não por culpa de Cavaco mas sim por culpa da nossa constante falta de visão de futuro, pela nossa inércia e pela nossa estupidez (nossa do povo português, de forma geral).

Cavaco não sofre de azia, e se sofresse já há pastilhas para isso, no entanto, e só o tempo o poderá confirmar, creio que Guterres está a adoptar a mesma estratégia. Precisamente ao contrário de Alegre, que após estrondosa derrota na corrida a secretário-geral do PS se apresenta como candidato presidencial (há que assumir que o homem os tem sítio!).


e sim, finalmente, concordo contigo, à semelhança do que se passou na nossa "aldeia dos gauleses" ganha quem menos fala e basta ouvir Soares para perceber que Cavaco não precisar dizer mais além de Bom dia e boa tarde.


Grande abraço meu caro, conto contigo

terça-feira, 08 novembro, 2005  
Anonymous Anónimo said...

"... nossa aldeia dos gauleses"

Exactamente, embora não tenha querido referir directamente, sabia que o ias entender...
É o caso de "para bom entendedor...".

Qanto ao resto temos opiniões diferentes, felizmente podemos expressá-las livremente!

Obrigado por teres feito deste blog ser uma prova exemplar de democracia.

Há muita censura ressurgida na blogosfera...

Abraço
FC

quinta-feira, 10 novembro, 2005  
Blogger callatrava said...

Viva Cavaco Silva, Presidente da República!
Viva Portugal!

terça-feira, 15 novembro, 2005  

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