D. Sebastião a votos?
Vibra, sem lei ou com lei,
Como aclamaste outrora em vão
O morto que hoje é vivo —
El-Rei D. Sebastião!
Vibra chamando, e aqui convoca
O inteiro exército fadado
Cuja extensão os pólos toca
Do mundo dado!
Aquele exército que é feito
Do quanto em Portugal é o mundo
E enche este mundo vasto e estreito
De ser profundo.
Para a obra que há que prometer
Ao nosso esforço alado em si,
Convoco todos sem saber
(É a Hora!) aqui!
(...)
Era assim que Pessoa reavivava o mito do Quinto Império lançado pelo Padre António Vieira.
Agora é bradado o nome de Cavaco Silva como salvador da nação, como o novo D. Sebastião e, à sua maneira, poderá sê-lo, reservando as condicionantes que tem um lugar meramente representativo como é o de Presidente da República, no entanto, vem no meio de uma grande névoa política e económica no universo europeu que não deixa antever nenhum futuro, e vem do Sul, não de Marrocos, mas de Boliqueime.
A ala esquerda diz agora a Portugal que se lembre do que ele fez, no entanto, caso as pessoas se lembrem do que ele fez e também do que fizeram todos os governos que se seguiram (como é dito no "Geraldo"), poderá ser que votem mesmo em Cavaco.
Indubitavelmente, Cavaco é o melhor candidato, até para Sócrates, pois Cavaco sabe o que é necessário ao país, tal como sabe que muitas das medidas que Sócrates tem tomado, são inevitáveis, e apoia-as do ponto de vista económico. Isto terá, por certo influenciado a escolha de Soares para candidato,e, se assim foi, Sócrates é um político genial.
Sobre as presidenciais creio ainda que Mário Soares perdeu a última oportunidade de sair da política pela porta grande e é o candidato que Sócrates escolheu para ser sacrificado em nome do PS, tendo em conta o que referi anteriormente.
Manuel Alegre merece o meu respeito e consideração pelo escritor que é e pela defesa intransigente que faz dos valores em que acredita, pela mostra de civismo e cidadania (embora tenha errado redodamente ao fazer o anúncio da sua candidatura num evento do PS).
Um homem assim, que dá a cara por aquilo em que acredita e que não segue uma corrente só porque é mais fácil, merece respeito.
Louçã e Jerónimo seguem o perfil habitual e terão o seu eleitorado base normal.
Resta ao PP decidir se avança com candidato próprio ou não. Avançar poderia significar a rotura das alianças PSD/PP, mas Cavaco já se precaveu disso e protegeu o partido (que o apoiará uno e incondicionlmente) dissociando-so do mesmo no anúncio da sua candidatura.
Cavaco referiu que é um candidato independente e que é de centro esquerda, por certo por saber que ala direia só por si, seria insuficente para ganhar as eleições (partindo do pressuposto que só haverá um candidato desta parte) e porque divindo ainda mais o centro-esquerda em número de votos poderá ganhar logo na primeira volta.
O facto de cada partido de esquerda apresentar o seu candidato e da candidatura de Manuel Alegre poder causar algumas rupturas intra-PS, pode significar a vitória de Cavaco, se bem que a desistência de algum candidato a favor de outro pode mudar alguma coisa, no entanto, só Louçã terá legitimidade para o fazer, pois Jerónimo deu a palavra como desta vez era par air até ao fim e Alegre não moveria montanhas para parar a meio da corrida.
Vamos ver como se porta o eleitorado.
Cavaco cria e tem muitos inimizades à esquerda, mas para o Governo PS de Sócrates é uma lufada de ar fresco, penso eu de que!






