segunda-feira, agosto 22, 2005

Frase da semana - 27

A tua única obrigação, durante toda a existência, é seres verdadeiro para contigo próprio.
Richard Bach

terça-feira, agosto 16, 2005

Há 620 anos...

...aconteceu a Batalha de Aljubarrota. Hoje, continua bem viva no nosso peito! É claro que não ia passar em claro, só umas mini-férias justificam este atraso.

A Batalha de Aljubarrota decorreu no final da tarde de 14 de Agosto de 1385, entre tropas portuguesas comandadas por D. João I de Portugal e o seu condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano de D. Juan I de Castela. A batalha deu-se no campo de S. Jorge, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre as localidades de Leiria e Alcobaça no centro de Portugal. O resultado foi uma derrota definitiva dos castelhanos e o fim da crise de 1383-1385, e a consolidação de D. João I como rei de Portugal, o primeiro da dinastia de Avis. A paz com Castela só veio a estabelecer-se em 1411.

Prelúdio
No fim do
século XIV, a Europa encontrava-se a braços com uma época de crise e revolução. A Guerra dos Cem Anos devastava a França, epidemias de peste negra levavam vidas em todo o continente, a instabilidade política dominava e Portugal não era excepção.
Em
1383, el-rei D. Fernando morreu sem um filho varão que herdasse a coroa. A sua única filha era a infanta D. Beatriz, casada com o rei D. João de Castela. A burguesia mostrava-se insatisfeita com a regência da Rainha D. Leonor Teles e do seu favorito, o conde Andeiro e com a ordem da sucessão, uma vez que isso significaria anexação de Portugal por Castela. As gentes alvoroçaram-se em Lisboa, o conde Andeiro foi morto e o povo pediu ao mestre de Avis, filho natural de D. Pedro I de Portugal, que ficasse por regedor e defensor do Reino.
O período de interregno que se seguiu ficou conhecido como
crise de 1383-1385. Finalmente a 6 de Abril de 1385, D. João, mestre da Ordem de Avis, é aclamado rei pelas cortes reunidas em Coimbra, mas o rei de Castela não desistiu do direito à coroa de Portugal, que entendia advir-lhe do casamento. Em Junho invade Portugal à frente da totalidade do seu exército e auxiliado por um contingente de cavalaria francesa.

Disposição da hoste portuguesa
Quando as notícias da invasão chegaram, João I encontrava-se em
Tomar na companhia de D. Nuno Álvares Pereira, o condestável do reino, e do seu exército. A decisão tomada depois de alguma hesitação foi a de enfrentar os castelhanos antes que pudessem levantar novo cerco a Lisboa. Com os aliados ingleses, o exército português intersectou os invasores perto de Leiria. Dada a lentidão com que os castelhanos avançavam, D. Nuno Álvares Pereira teve tempo para escolher o terreno favorável para a batalha, assistido pelos experientes ingleses. A opção recaíu sobre uma pequena colina de topo plano rodeada por ribeiros, perto de Aljubarrota. Pelas dez horas da manhã do dia 14 de Agosto, o exército tomou a sua posição na vertente norte desta colina, de frente para a estrada por onde os castelhanos eram esperados. Seguindo o mesmo plano de outras batalhas do século XIV (Crécy e Poitiers são bons exemplos), as disposições portuguesas foram as seguintes: cavalaria desmontada e infantaria no centro da linha, rodeadas pelos flancos de archeiros ingleses, protegidos por obstáculos naturais (neste caso ribeiros). Na retaguarda, aguardavam os reforços comandados por D. João I de Portugal em pessoa. Desta posição altamente defensiva, os portugueses observaram a chegada do exército castelhano protegidos pela vertente da colina.

A chegada dos castelhanos
A vanguarda do exército de Castela chegou ao teatro da batalha pela hora do almoço, sob o Sol escaldante de Agosto. Ao ver a posição defensiva ocupada por aquilo que considerava os rebeldes, o rei de Castela tomou a acertada decisão de evitar o combate nestes termos. Lentamente, devido aos 30,000 soldados que constituíam o seu efectivo, o exército castelhano começou a contornar a colina pela estrada a nascente. As patrulhas castelhanas tinham verificado que a vertente Sul da colina tinha um desnível mais suave e era por aí que pretendiam atacar.
Em resposta a este movimento, o exército português inverteu a sua disposição e dirigiu-se à vertente Sul da colina. Uma vez que era muito menos numeroso e tinha um percurso mais pequeno pela frente, o contingente português atingiu a sua posição final ao início da tarde. Para evitar o nervosismo dos soldados e manter a moral elevada, D. Nuno Álvares Pereira ordenou a construção de um conjunto de trincheiras e covas de lobo em frente à linha de infantaria. Esta táctica defensiva, muito típica dos exércitos ingleses, foi talvez uma sugestão dos aliados britânicos presentes no terreno.
Pelas seis da tarde, os castelhanos estão prontos para a batalha. De acordo com o registo escrito por el-rei de Castela depois da batalha, os seus soldados estavam bastante cansados do dia de marcha em condições de muito calor. Mas não havia tempo para voltar atrás e a batalha começou.

A batalha
A iniciativa de começar a batalha partiu de
Castela, com uma típica carga da cavalaria francesa: a toda a brida e em força, de forma a romper a linha de infantaria adversária. Mas tal como sucedeu na batalha de Crécy, os archeiros colocados nos flancos e o sistema de trincheiras fizeram a maior parte do trabalho. Muito antes de sequer entrar em contacto com a infantaria portuguesa, já a cavalaria se encontrava desorganizada e confusa, dado o medo dos cavalos em progredir em terreno irregular e à eficácia da chuva de flechas que sobre eles caía. As baixas da cavalaria foram pesadas e o efeito do ataque nulo. A retaguarda castelhana demorou em prestar auxílio e em consequência, os cavaleiros que não morreram foram feitos prisioneiros pelos portugueses.
Depois deste percalço, a restante e mais substancial parte do exército castelhano entrou na contenda. A sua linha era bastante extensa, pelo elevado número de soldados. Ao avançar em direcção aos portugueses, os castelhanos foram forçados a desorganizar as suas próprias fileiras, de modo a caber no espaço situado entre os ribeiros. Enquanto os castelhanos se desorganizavam, os portugueses redispuseram as suas forças dividindo a vanguarda de
D. Nuno Álvares em dois sectores, de modo a enfrentar a nova ameaça. Vendo que o pior ainda estava para chegar, D. João I de Portugal ordenou a retirada dos archeiros ingleses e o avanço da retaguarda através do espaço aberto na linha da frente. Foi então que os portugueses necessitaram chamar todos os homens ao combate e tomaram a decisão de executar os prisioneiros franceses.
Esmagados entre os flancos portugueses e a retaguarda avançada, os castelhanos lutaram desesperadamente por uma vitória. Nesta fase da batalha, as baixas foram pesadas para ambos os lados, principalmente no lado de Castela e no flanco esquerdo português, recordado com o nome Ala dos Namorados. Ao
pôr-do-sol a posição castelhana era já indefensável e com o dia perdido, D. João de Castela ordenou a retirada. Os castelhanos debandaram desordenados do campo de batalha. Soldados e povo das redondezas seguiam no seu encalço e não hesitavam em matar os fugitivos.
Da perseguição popular surgiu uma tradição portuguesa em torno da batalha: uma mulher, de seu nome Brites de Almeida, recordada como a
Padeira de Aljubarrota, muito forte alta e com seis dedos em cada mão, emboscou e matou pelas próprias mãos muitos castelhanos em fuga. Esta história é apenas uma lenda popular, mas o massacre que se segui à batalha é histórico.

O dia seguinte
Na manhã de 15 de Agosto, a catástrofe sofrida pelos castelhanos ficou bem à vista: os cadáveres eram tantos que chegaram para barrar o curso dos ribeiros que flanqueavam a colina. Para além de soldados, morreram também muitos fidalgos castelhanos, o que causou luto em Castela até 1387. A cavalaria francesa sofreu em Aljubarrota mais uma derrota contra tácticas defensivas de infantaria, depois de Crécy e Poitiers. A
batalha de Azincourt, já no século XV, mostrou que Aljubarrota não foi o último exemplo.
Com esta vitória, D. João I tornou-se no rei incontestado de Portugal, o primeiro da
dinastia de Avis. Para celebrar a vitória e agradecer o auxílio divino que acreditava ter recebido, D. João I mandou erigir o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e fundar a vila da Batalha.

In Wikipedia

quarta-feira, agosto 10, 2005

Frase da semana - 26

Ainda a ver com o Verão e com as férias...

Os livros ruins nunca lemos de menos e os bons nunca relemos demais. Os livros ruins são veneno intelectual: eles estragam o espírito.
Arthur Schopenhauer

Frase da semana - 25

O Verão está aí... o calor aperta...

Quando se trata de sexo, as mulheres precisam de uma razão.....os homens precisam de um lugar.
Allan Pease

Portugal a morrer

Estou cansado de ver fumo no céu quando conduzo para casa.
Estou cansado de ver cinza no ar quando saio à rua.
Estou cansado de ver o horizonte a arder quando olho pela janela. Estou farto de ver isto
isto
e isto na TV.Já chega.
No entanto, há pessoas a quem todo o país deve estar grato, pois são eles que, e muitas vezes só com uma t-shirt ou um fato macaco, que combatem fogos enormes, estupida e criminosamente provocados.
Falo, claro está, dos Bombeiros a quem o que falta em equipamento, sobra em coragem e em vontade.
A eles
OBRIGADO por tentar evitar que isto...
e isto...
se transforme nisto...
ou nisto

Muito, muito obrigado.

terça-feira, agosto 02, 2005

Manuel Alegre está triste

É sempre a vida que provoca a arte pura, e eis um momento de arte.
O Quadrado
Não sei ao certo em que guerra estou. Todos os dias a esta hora, seis da tarde, começo a ser cercado por tropas que não vejo. Sinto-as perto de mim, sei que estão à minha volta, mas não vejo ninguém. Só os tiros, as rajadas, os “rockets”. Por vezes pegam no megafone e dão-me ordem de rendição:- Estás sozinho, dizem. És um soldado sozinho numa guerra que há muito está perdida.O problema é que não sei sequer que guerra é. Não sei quem me vestiu esta farda, nem quem me mandou para aqui e me pôs uma arma nas mãos. Munições não me faltam, nem rações de combate, nem água. Todos os dias sou reabastecido. Mas também não sei por quem. Não sei tão pouco quem são os meus, nem por que país ou causa estou a combater, se é que combato pelo que quer que seja. Defendo este reduto. É o meu quadrado. Talvez não tenha sentido estar aqui a defendê-lo, mas se o perdesse eu próprio me perderia. O único sentido, que talvez não tenha grande sentido, é defender este quadrado. Até à última gota de sangue, como há muito, na recruta, me ensinaram. Por isso não me rendo. Por mais que me intimem e me intimidem continuarei a resistir. Não propriamente por razões militares ou morais. Digamos que por razões estéticas. Um homem não se rende. Talvez seja por isso que estou aqui, não sei ao certo onde nem desde quando, talvez desde sempre, no meio de um quadrado, cercado e sozinho, mas não vencido.Algures alguém me reabastece. Algures sabe que não me rendo.Todos os dias, pelas seis da tarde, aperta-se o cerco. Todos os dias, à mesma hora, me coloco em posição. É estranho que não me acertem, verdade seja que também não sei se alguma vez atingi o inimigo, se assim lhe posso chamar. Chego a perguntar-me se não é um sonho, se tudo não é apenas um pesadelo e se de repente não vou acordar.Seja como for, a guerra continua. Em sonhos ou não, continua. São quase seis da tarde e sinto que eles se aproximam. Todos os dias é assim, todos os dias defendo o meu quadrado.- És um homem sozinho e a tua guerra está perdida, gritam eles. Sei muito bem que estou sozinho. Mas enquanto me bater a guerra não está perdida, ainda que se me perguntassem que guerra é eu não soubesse ao certo responder. Diria talvez que é a guerra de um homem no meio do seu quadrado. Um homem que se bate, talvez em sonho, porque tudo se calhar é sonho. Sonho de um sonho, lembro-me de ter lido algures. Que importa? Sonho ou não, eles aí estão, tenho de defender o meu quadrado. Não há outro sentido senão este, lutar até ao fim, um homem não se rende, não seria bonito, seria, aliás, se me permitem, uma falta de educação, uma grande falta de educação.
Manuel Alegre In EXPRESSO 30-07-2005

Interregno - mais um aliado


Descobri um novo blog ,de mais um aliado defensor da causa lusitana, é ele o Interregno, a quem dou os parabéns pelo blog e desejo a continuação de um bom trabalho.

Destaco também a sapiência de O Velho do Montanha.

Finalmente relva em vez de erva!

Foto JF

O custo é mais elevado agora, mas é mais rentável no futuro. É sintéctica mas é relva. Demorou, mas foi colocada. Falo do campo de futebol de Vila Viçosa, onde foi finalmente colocado um tapede de relva sintéctica.
Após várias épocas na IIIª divisão nacional de futebol, O Calipolense, que se deslocava a Campo Maior e a Elvas para disputar os jogos em casa (por imposição da FPF cujas normas obriga os clubes após vários anos na IIIª divisão a jogar em campo relvado), vai finalmente poder jogar realmente em casa.
Apesar de se encontrar agora nos regionais, a relva poderá funcionar como um chamariz a novos jogadores e ao regresso de muita "prata da casa" que joga nos clubes vizinhos. É da "prata da casa" que vivem os clubes locais, pois sem eles e com plantéis contituídos à base de "chulos da bola" está visto que o resultado é a bancarrota! Só apostando nos jovens das terras e roubandos-os a outros vícios não saudáveis os clubes podem dizer que são instituições de utilidade pública!
Este campo relvado poderá ser utilizado ainda pelas equipas da zona dos mármores e trazer para Vila VIçosa jogos de outra estirpe mais elevada. E porque não um centro de estágio? Fica a ideia... agora é altura de dar os parabéns à CMVV por ter concretizado esta promessa eleitoral, que durava já à dois mandatos, e de desejar ao Calipolense e ao Bairrense boa sorte para a nova época.