segunda-feira, junho 27, 2005

Até à próxima semana...


Vou fechar a loja por estes dias para descanso do pessoal.
Fiquem bem!

domingo, junho 26, 2005

Vila Viçosa noutros tempos - II


"Era a primeira vez que Luís Bernardo vinha a Vila Viçosa e ficou imediatamente deslumbrado com a beleza da vila, as suas casas caiadas de branco, com não mais de um dois pisos, as frontarias das janelas e portas feitas em pedra de mármore das pedreiras à saída da vila, as varandas de ferro forjado, as fontes também em mármore, a largura dos passeios com fiadas de laranjeiras carregadas de laranjas naquela altura do ano, a dimensão da praça central, em frente ao castelo e ao jardim público que o cercava. Respirava-se espaço, largueza, uma harmonia óbvia entre arquitectura e o ar pacífico com que os habitantes da vila, conversndo em pequenos grupos à porta dos comércios ou circulando a pé pelos passeios, pareciam deixar escorrer o tempo, sem pressas inúteis. Manifestamente, Vila Viçosa fora construida tanto para ser vivida dentro como fora de portas, para ser amada, ao sol ou à lareira, pelos seus habitantes."
In EQUADOR de Miguel Sousa Tavares

Mea culpa

Faço um mea culpa pela informação tardia que aqui presto agora, e que, o Sexo do Anjos, divulgou antecipadamente. Trata-se da realização, ontem (sábado 25), das Primeira Jornadas de História de Vila Viçosa e que Jornadas de História em Vila Viçosa contaram com a preença de vários ilustres da área como o Prof. Veríssimo Serrão (presidente da Academia Portuguesa da História), Manuela Mendonça (secretária-geral da Academia Portuguesa de História) Carlos Margaça, Fátima Reis e Paula Lourenço.

O evento insere-se na divulgação e reforço da candidatura da vila a Património Mundial da UNESCO.

Ficam a desculpas pela divulgção tardia, mas é que nem mesmo em Vila Viçosa houve muita divulgação.

sábado, junho 25, 2005

Vila Viçosa noutros tempos - I

Nova etapa


Calma!
Não se enganou no blog nem o Aljubarrota deixou de existir.
Em jeito de comemoração pelos 5.000 visitantes, resolvi dar uma nova imagem ao blog e aqui está ele, pintado de fresco.
Espero que gostem.

sexta-feira, junho 24, 2005

Frase da semana - 21

Na semana em que, mais uma vez, os professores e a educação forma muito falados, acho pertinente esta frase de um homem cuja leitura das suas obras devría ser um hábito para todo e qualquer educador.
Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais...
Rubem Alves

Parabéns D. Nuno (o verdadeiro!)


Comemoram-se hoje os 645 anos do nasciemnto de Nuno Álvares Pereira, um ícone deste blog e de que o devería ser de todos os portugueses.
D. Nun'Álvares Pereira (24 de Junho 1360 - 1 de Novembro 1431), também conhecido como o Santo Condestável ou Beato Nuno de Santa Maria foi um general português do século XIV que desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal jogou a sua independência contra Castela.
Nuno Álvares Pereira nasceu na vila de
Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco e casou-se em Vila Nova da Rainha, freguesia do concelho de Azambuja, distrito de Lisboa.
Quando o rei
Fernando de Portugal morreu em 1383, sem herdeiros a não ser a princesa Beatriz casada com o rei João I de Castela, foi um dos primeiros nobres a apoiar as pretensões de João, o Mestre de Avis à coroa. Apesar de ser filho ilegítimo de Pedro I de Portugal, João afigurava-se como uma hipótese preferível à perda de independência para os castelhanos. Depois da primeira vitória de Álvares Pereira frente aos castelhanos na batalha dos Atoleiros em Abril de 1384, João de Avis nomeia-o Condestável de Portugal e Conde de Ourém. A 6 de Abril de 1385, João é reconhecido pelas cortes reunidas em Coimbra como Rei de Portugal. Esta posição de força portuguesa desencadeia uma resposta à altura em Castela. João de Castela invade Portugal com vista a proteger os interesses de sua mulher Beatriz. Álvares Pereira toma o controlo da situação no terreno e inicia uma série de cercos a cidades leais a Castela, localizadas principalmente no Norte do país. A 14 de Agosto, Álvares Pereira mostra o seu génio militar ao vencer a batalha de Aljubarrota à frente de um pequeno exército de 6,000 portugueses e aliados ingleses, contra as 30,000 tropas castelhanas. A batalha viria a ser decisiva no fim da instabilidade política de 1383-1385 e na consolidação da independência portuguesa. Finda a ameaça castelhana, Nuno Álvares Pereira permaneceu como condestável do reino e tornou-se Conde de Arraiolos e Barcelos. Entre 1385 e 1390, ano da morte de João de Castela, dedicou-se a realizar raides contra a fronteira de Castela, com o objectivo de manter a pressão e dissuadir o país vizinho de novos ataques.
Álvares Pereira morreu no
Convento do Carmo em Lisboa em 1431 e é lembrado como um dos melhores generais portugueses. Do seu casamento com Leonor de Alvim, o Condestável teve apenas uma filha, Beatriz, que se tornou mulher de Afonso, o primeiro Duque de Bragança.
Adpatado Wikipedia

Aqui há gato!

Depois de tanta greve, tanta contestação, do aumento anunciado dos impostos e de todas as outras medidas tomadas pelo governo, hoje, foram conhecidos os resultados de uma sondagem que revela que o governo continua em estado de graça!!
Não acham o timming para revelar os resultados desta sondagem muito suspeito?
Com tanto trafulhice desta, com o país aos trambulhões e sem rumo desde há umas décadas, Portugal só pode estar sim neste Estado de (meter) graça!

Emigração sim ou talvez não?




O arrastão, ou “a ponta do tsunami” como alguém lhe chamou, deixou marcas. Mais ou menos em forma de esclarecimento ao Diogo Alvim (que comentou o post Portugal no 3º Mundo), este texto toca em pontos muito sensíveis da organização social portuguesa e é, indubitavelmente, de extrema importância. Um tema pertinente, actual e que a todos diz respeito e afecta: a emigração!

Permitam-me que faça referência a uma frase que, um grande amigo meu, de esquerda, disse após estes factos: “é a violência que desperta o racismo”! É-me impossível não concordar com esta frase.

Não sou racista, é preciso não confundir nacionalista com racista. Sou contra a emigração descontrolada a que se assiste em Portugal, não sou contra a emigração regulada e prevista (faltam quatro dentistas em Portugal aceitamos quatro emigrantes que preencham os requisitos).

Não concordo com o facilitismo dado pelos governos portugueses a quem quer entrar no país e que o Presidente da República veio este fim de semana pedir que fosse ainda mais fácil! Não gosto quando o Presidente da República pergunte ao embaixador de Cabo-Verde em Portugal se acha que é seguro visitar o bairro da Cova da Moura, que por sinal, imagine-se até fica em Portugal! (ver do jornal
Expresso do dia 18 de Junho 2005)

Aceito a emigração e divido-a em dois tipos: emigração de provenientes de ex-colónias portuguesas e emigração de outros países não-membros da UE.

Os primeiros, os provenientes de ex-colónias, acredito que devam usufruir de um estatuto especial de emigração, com prazos mais longos, seja para trabalhar ou estudar.
Os segundos, os provenientes de países não pertencentes à EU, devem ser fiscalizados e revistos os seus contractos de trabalho de 6 em 6 meses e provada a necessidade de Portugal os deixar continuar por cá.

Aliás, a necessidade, ou não, de Portugal aceitar tão largo número de emigrantes é um ponto fulcral no aumento da criminalidade e de todos os problemas que são geralmente atribuídos aos emigrantes.

Se Portugal não precisa de muitos dos estrangeiros que habitam no nosso país eles não justificam a sua presença em Portugal. Portugal não consegue controlar e dar condições a tanta gente, logo, os que não são abrigados debaixo do braço acolhedor das instâncias governamentais lusas, procuram a “qualidade” de vida de outra forma, a roubar, assaltar e a prejudicar a população que paga impostos altissímos sem que seja sequer recompensada com segurança na vida quotidiana!

Se querem continuar com a emigração antes que o país esteja colonizado (todos conhecemos a máxima de alguns bairros e etnias: “Queremos ser mais que vocês na vossa terra!”) é necessário aculturar e dar condições mínimas de vida a quem vem. De outra forma, os bairros onde a violência e a criminalidade são forma de vida e não crime, estender-se-ão e dentro em pouco, não existirão só nas grandes áreas metropolitanas mas em todo o país.

Emigração sim, desde que seja controlada e regrada rigidamente.

Um outro problema que creio existir é a condição da étnia cigana em Portugal: andam nas estradas em carroças e cavalos sem que ninguém se atreva sequer a alertar para questões de segurança, são atendidos nos centros de saúde primeiro que as outras pessoas (os parolos que pagam impostos!!), são-lhes oferecidas casas e têm direito ao rendimento mínimo garantido e à reforma (apesar não fazerem descontos; afinal o que há a declarar? A Mercedes Vito em frente à tenda?).


O que é que está mal neste filme?

E esta hein?!

Já dizia o Pessa e agora diz o país todo... todo até ver! Pode ser que nas próximas horas também a Madeira ou o Alentejo deixem de ser Portugal...




Açores, essas belas ilhas do Atlântico. Esse importante posto geo-estratégico. Essa terra que nos dá produtos de alta qualidade e nos presenteia com uma cultura muito característica, afinal não é Portugal.

Desta forma, Mota Amaral foi o primeiro estrangeiro Presidente da Assembleia da República Portuguesa e a selecção nacional de futebol Portuguesa vai ser punida pela FIFA por jogar com um estrangeiro não naturalizado, o Pauleta.

Os Açores não são Portugal? Ò Sr.ª ministra, foi isso que lhe ensinaram na escola?

segunda-feira, junho 20, 2005

5.000 vezes obrigado

Obrigado a todos os que visitaram, comentaram e divulgaram este blog.

Hoje é um dia "histórico" para este blog que pretende simplesmente dar pontos de vista sobre determinados assuntos e temas, informar, provocar a reflexão e o pensamento,elogiar ou simplesmente criticar e até, se possível for, educar.


A todos os que lutam, da mais variadas maneiras, por uma Vila Viçosa melhor,um Alentejo melhor e um Portugal melhor, aqui reitero o meu apoio e apreço.


Ao LTN que me icentivou a criar este blog, aos meus amigos e colaboradores deixo um simples mas muito sentido abraço.


Luis Miguel Carapinha, vulgo "D. Nuno Álvares Pereira"

quinta-feira, junho 16, 2005

Momentos de arte...


Ninguém

nenhum lugar se escuta no lugar onde não existes.
aqui, não há sequer o teu esquecimento. há palavras
que não te negam. crescemos sem esperar nada de ti.

se és o silêncio, nós não conhecemos o silêncio. Se és
a solidão, és inútil. o que existe longe de nós não é a
nossa casa. nós suportamos as paredes da nossa casa.

nenhum tempo pode esquecer o tempo que te esqueceu.
agora, a música repete outros rosto. os instantes não
se lembram de ti. o horizonte tenta proteger-te do medo.

os versos são os degraus da escada que o príncipe
desce devagar. o seu pé direito está sobre esta palavra.
antes dos versos, estava o quarto e a janela. o príncipe
desce devagar. o seu pé esquerdo está sobre esta palavra.

entra no interior da casa. ouve-se a noite. não se ouve
o coração do príncipe. ouve-se, neste verso, o seu pé direito.

não se sabe o que irá encontrar na escuridão que o puxa.
assenta aqui o seu pé esquerdo e lembra-se do que perdeu.

o príncipe foi príncipe. conheceu palácios que não existem.
o príncipe, pé direito, desce devagar e lembra-se de tudo.

pela última vez, a memória. perguntas sem resposta
desaparecem, pé esquerdo, neste instante da última vez

antes do interior da casa, do interior de si, o príncipe pousa
os dois pés no último verso e esquece tudo o que nunca soube.

José Luís Peixoto

segunda-feira, junho 13, 2005

Frase da semana - 20


foto de José Marafona

Tendo excluído tudo que é impossível, aquilo que fica, por mais improvável que pareça, é a verdade...
Sir Arthur Conan Doyle

Portugal no 3º Mundo


imagem de O Porta Bandeira

Não vejo nesta imagem qualquer teor racista. Vejo uma imagem do um (muito infeliz) acontecimento deste fim de semana, à qual se sobrepuseram os slogans de uma recente campanha contra o racismo. Só resta saber quem são os racistas e quem se dirigia a campanha!

Por racismo ou não, cenas destas põe-nos ao nível de um país terceiro mundista! Brigadas de Intervenção nas prais? Está tudo louco?

Ao ver a notícia na TV não consegui escondir a minha revolta e assumo até que tive que ranger bem os dentes para não rebentar de raiva e indignação perante tais imagens!

O cidadão português paga impostos até mais não e o Estado já nem providencia um país seguro?

Todos sabem onde está o problema e não é de ontem! Há barris de pólvora prontos a explodir e ou se impede que rebente desfazendo o barril ou depois vai ser mais difícil parar o fogo!

Inaceitável! É extremamente revoltante!
Não podemos continuar assim, é preciso mudar! Portugal merece mais!

Adeus Eugénio...

(...) Até Amanhã

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de epunha
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, eijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:

a juventude, o vento e as areias.
Eugénio de Andrade




Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu no dia 19/01/1923 em Póvoa de Atalaia, concelho do Fundão. Viveu em Lisboa, onde terminados os estudos liceais, cumpriu o serviço militar e entrou para o funcionalismo público como inspector dos Serviços Médico-Sociais (1947-1983). Em 1950, é transferido para o Porto, onde fixa residência. Desde cedo se dedicou à poesia, alcançando grande notoriedade com livros como As Mãos e os Frutos (1948) e Os Amantes sem Dinheiro (1950). Traduziu vários poetas estrangeiros, de que se destacam Federico García Lorca e Safo, e organizou várias antologias, sendo a mais conhecida a que dedicou ao Porto com o título Daqui Houve Nome Portugal (1968). Em 1982, o Presidente da República conferiu-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Em 1989, ganhou o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro O Outro Nome da Terra. Nesse mesmo ano, recebeu o prémio Jean Malrieu para o melhor livro de poesia estrangeira publicado em França com a obra Blanc sur Blanc. Em 1990, é criada no Porto a Fundação Eugénio de Andrade.
Faleceu, ontem, aos 82 anos.
Adeus Eugénio, obrigado pelo teu legado poético.

Obras: As Mãos e os Frutos (1948), Os Amantes sem Dinheiro (1950), As Palavras Interditas (1951), Até Amanhã (1956), Coração do Dia (1958), Mar de Setembro (1961), Ostinato Rigore (1964), Antologia Breve (1972), Véspera de Água (1973), Limiar dos Pássaros (1976), Memória de Outro Rio (1978), Rosto Precário (1979), Matéria Solar (1980), Branco no Branco (1984), Aquela Nuvem e Outras (1986), Vertentes do Olhar (1987), O Outro Nome da Terra (1988), Poesia e Prosa (1940-1989) (obra completa, 1990), Rente ao Dizer (1992), À Sombra da Memória (1993), Ofício de Paciência (1994), Trocar de Rosa / Poemas e Fragmentos de Safo (1995), O Sal da Língua (1995).

quinta-feira, junho 09, 2005

Dia de PORTUGAL



Amanhã é dia de PORTUGAL e peço que não cedam às instruções que circulam na net de pendurar um pano negro amanhã à semelhança do que foi feito com a bandeira das quinas durante o Europeu de futebol.

Amanhã é o dia de festejar Portugal e os portugueses e não de dia para censurar políticos e políticas. A estes, a censura é feita nas urnas de voto ou no próximo dia da República, não amanhã!

Amanhã é dia de glorificar PORTUGAL, tal como fez Camões n' Os Lusíadas, obra da qual retirei o próximo excerto:


As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino , que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando;
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte .
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre lusitano ,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - Camões



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

quarta-feira, junho 08, 2005

Camões -Biografia



Peço aos colegas do Heródoto que corrijam qualquer erro que possam conter os textos.

Luís Vaz de Camões - é este o nome do maior e mais admirado poeta português, um herói nacional que, e como acontece a grande parte dos heróis, foi ignorado e desprezado na sua época e só teve o louvor merecido de símbolo de Portugal após a morte.

Não se sabe onde nasceu nem há certezas, embora Coimbra, Constância, Alenquer e Lisboa estejam entre as cidades candidatas a berço do homem que cantou Portugal ao Mundo. Quanto à data, os historiadores apontam entre de 1517 a 1525 como data provável do nascimento de Luís Vaz. A sua proveniência social também está por decifrar, mas se realmente realizou os seus estudos superiores em Coimbra (facto sem confirmação) deveria ser descendente de alguma linhagem nobre; no entanto, ninguém tem dúvidas que Camões era erudito.

Com fama de boémio e de estar constantemente envolvido em brigas, Camões serviu a pátria, como militar, no Norte de África, onde viria a ficar sem um olho e esteve ainda como administrativo em Goa e Macau.

Em 1572, publica a “prima donna” da literatura lusa: “Os Lvsíadas” e morre por volta de 1579/80.
Luís Vaz de Camões tem hoje o seu túmulo no Mosteiro dos Jerónimos.

terça-feira, junho 07, 2005

Ao desconcerto do Mundo - Camões

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Camões - I




Luís Vaz de Camões! Um nome que todo o português ouviu falar. O nome inevitavelmente associado a’OS LUSÍADAS. Um nome que aprendi a admirar e a valorizar ao longo do tempo; uma obra que aprendi a amar com as aulas apaixonadas desse grande conhecedor da obra camoniana: o Prof. Dr. Hélio Alves, da Universidade de Évora.

Encontrarão aqui, e ao longo da semana, alguns poemas e análises sobre a obra e o homem que o eborense Severim de Faria, retratou-o assim: “ Luís Vaz de Camões era de média estatura, grosso e cheio no rosto e algum tanto carregado de fronte, tinha o nariz cumprido, levantado no meio e grosso na ponta, afeiava-o grandemente a falta do olho direito. Sendo mancebo, teve o cabelo tão loiro que atirava a açafroado e ainda que não fosse gracioso na aparência, era na conversação muito fácil, alegre e dizidor, como se vê em seus motes e esparsas, posto que já sobre a idade deu algum tanto em melancólico”.

segunda-feira, junho 06, 2005

Frase da Semana 19

Esta semana é dedicada a um grande amigo, visita e comentador usual deste blog, e que, soube recentemente, atravessa um momento difícil relacionado com a saúde.
A ti meu caro, um forte abraço.

A prosperidade não existe sem temores nem desgostos, nem a adversidade sem consolos e sem esperança.

Francis Bacon

sexta-feira, junho 03, 2005

Constituição Europeia?

NO! NEIN! NO! NON! NÃO!

No, no, no, no don't fuNk with my...country!

Primeiro resultados, depois a confiança!
Como foi dito no Tempo que passa:

Queres fiado...

Example

quarta-feira, junho 01, 2005

Dia da Criança



"As pessoas crescidas têm sempre necessidade de explicações...
Nunca compreendem nada sozinhas
e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações."
Antoine de Saint-Exupéry

Doutores & Engenheiros, S.A.

Acabar um curso. Procurar trabalho. Finalmente arranjar algo, ainda que não seja na área de formação, abrir uma conta ordenando etc. Tudo coisas normais na vida de quem é atirado para “arena dos leões”.

Acontece que, ao receber os meus cartões de débito e crédito, estes vinham com a insígnia “DR.” antes do meu nome. Não que me goste de armar em doutor , apesar de o ser mas achei até uma certa graça, talvez por prever já o poder do “DR” nas pessoas.

Um dia ao pagar uma conta com os cartões ou ao falar do assunto, um amigo indagou sobre o porquê do DR e revelou não achar muito sentido naquilo. De facto, na Espanha todos se tratam por tu e não é por isso que se falta mais ou menos ao respeito. Contudo, no nosso canto lusitano, a reacção das pessoas é totalmente diferente ao estar perante um simples cidadão ou de um “doutor”?

A grande diferença notasse na qualidade do serviço prestado. Aposto que já todos devem ter assistido a um empregado a faltar ao respeito a um idoso, a uma senhora com aspecto simplório, a uma criança etc., eu, com 24 anos já fui alvo da ira intempestiva dos empregados de balcão fartos do trabalho que têm. É aí que a magia poderosa do “cartão DR” no acto do pagamento muda tudo. O empregado com o síndroma “bruxa má” torna-se “Cinderela” e a estupidez e arrogância dá lugar ao ”Xor Doutor, obrigado pela visita. Volte sempre.”.

Qual é a necessidade que este tipo de pessoas tem se humilhar? Não deverão a todos os cidadãos o mesmo respeito?
É por sermos um país de “Doutores & Engenheiros” que não passamos da cepa torta, ou melhor, que estamos com a cabeça no cepo!

Mobbing???

Imagine que é o bode expiatório dos colegas e até dos chefes. É impossível sentir-se bem ainda que seja só uma suposição, não é?

Já ouviu queixas de colegas, amigos, familiares a dizerem que se sentem perseguidos; e essa perseguição pode mesmo ser real.

A vergonha ou o medo de ser envergonhado, de se ver numa situação embaraçosa ou de humilhação sempre levou o ser humano a fugir, a evitar até ou refugiar-se.

Li, há umas semanas na revista Sábado, um artigo sobre mobbing – a perseguição no trabalho. Apesar de já desconfiar de alguns mexericos e intrigas, da “desconfiança” ou “inimizade” (chamemos-lhe assim) de umas pessoas relativamente a outras, só depois de ler este artigo verifiquei que este fenómeno existe em grande escala, e pior, temo que a função pública portuguesa é um bom condutor do mesmo.

Em Portugal, o hábito ainda não tem o seu referente em números, no entanto existe, disso não há dúvidas. Se em todos os trabalhos há bons exemplos de competência, profissionalismo e “amor à camisola”, não será falso que existem outros tantos, ou mais, que são o oposto e que por inércia, incapacidade ou simplesmente inveja, fazem de tudo para ver os outros mal. Se, inicialmente, desconfiei que se tratava somente de uma educação rude e sem princípios, agora sei que pode ser um fenómeno social.

Como revela a revista, os alvos preferidos são, e segundo revelam estudos realizados em Espanha, trabalhadores com mais de 55 anos , próximos da reforma, e indivíduos com energia e vontade de progredir. No entanto, é estimado que 70% dos casos de mobbing se dirigem a mulheres, sobretudo grávidas. A esta listagem permitam-me juntar os licenciados (quando em minoria; ainda me lembro do “Ó doutor como se escreve isto?” e do “O doutor aí do canto, pode dar uma ajuda?”). Aliás a converso do doutor dá ainda para mais texto (ver post “Doutores & Engenheiros, S.A.”).

Mobbing é um termo novo e significa “ataques silenciosos e subtis que pretendem acabar com um empregado, quase sempre porque ele é demasiado competente ou não se insere em determinado grupo”. Inventar boatos, não deixar que dê nas vistas ou fale nas reuniões, menosprezar e criticar as suas opiniões e trabalho, fingir que não existe etc. Tudo serve na guerra do mobbing, que é de uma violência psicológica extrema. A forma de resistir é suster-se no seu trabalho, a crença de que é você que está bem, demonstrar competência no cumprir dos objectivos e levantar a cabeça (sorrir na cara de quem não gosta de si é mais poderoso que uma bomba de hidrogénio!).

O mobbing pode levar a despedimentos voluntários, distúrbios emocionais graves e até estimular a violência e as agressões.

Atenção também que nem todo aquele que é “perseguido” o é por mobbing, algumas vezes há incompetência e falta de profissionalismo das pessoas que desempenham certas funções.

O mobbing é “uma tortura silenciosa” que tem muitas vezes como base “a competição, a rivalidade e inveja pessoal e profissional ou conflitos de grupo”.


Tenha cuidado, você pode ser a vítima... se o é, dou-lhe um conselho: mande-os todos dar uma volta ao bilhar grande! Seja competente e cumpra os objectivos. Você vale mais!