terça-feira, maio 03, 2005

ECONOMIA (e) REGIONAL(ização)

Num país cada vez menos na rota do futuro. Num país onde, e cada vez mais, é difícil tornar real os objectivos macroeconómicos ( em grande parte devido a uma estagnação das sociedades microeconómicas e dos seus sistemas regionais), acredito na regionalização como solução!

Um dia um amigo perguntou se eu era contra a regionalização; sem hesitar e de forma clara respondi que sim. Depois, perguntou-me os motivos em que sustentava a minha resposta tão directa e explicita. Não tive resposta e fiquei alguns dias a pensar no assunto. Comecei a acreditar que na realidade existia algum pragmatismo na minha resposta, mas o que é que tinha mudado?

Comecei então a ponderar novamente as vantagens e desvantagens da regionalização, e a verdade é que uma maior proximidade da população ao poder político, não só causaria uma maior pressão junto das instâncias governamentais, o que seria algo de muito positivo e ainda melhor se comparado com a ligação população / governo central. Esta pressão mais próxima, serviria também para uma mais fácil responsabilização das instâncias governamentais no cumprimento das promessas eleitorais e do trabalho desenvolvido (ou não!).
No entanto, existem também desvantagens: os favores aos amigos seriam, de certo, uma realidade ainda maior, uma vez que os interesses seriam geridos directamente pelos “interessados”. Esta seria uma clara desvantagem. Contudo, este é um problema da cultura portuguesa, por isso, e por si só não é uma razão suficientemente forte para dizer não à regionalização.
Outra vantagem seria o facto de que as maiores áreas urbanas, em termos populacionais, como Lisboa ou Porto, seriam aquelas que teriam mais capacidade financeira para a realização de obras públicas e para o cumprimento das promessas. À primeira vista parece ser uma desvantagem mas se analisarmos a situação do ponto de vista per capita, isto é, analisar o montante a gastar por cada pessoa, regiões como o Alentejo acabariam por beneficiar desta lógica, sendo que a médio prazo a capacidade de sustentabilidade da região seria uma maior realidade.

Estou disposto a mudar.


Jorge Ferreira

2 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Antes de começar, confesso que sou e sempre fui um defensor da regionalização.

Tal como o JMF defende, também eu acredito que fosse qual fosse o modelo de regionalização este seria sempre benéfico, em termos per capita, para o nosso Alentejo.

A regionalização já existe, mas não de uma forma legitima, existem CCR, onde os directores regionais são nomeados, por a regionalização ter sido chumbada e como tal a CCR não constituir um orgão democrático, tal como os Governos Regionais.
O próprio papel do Governador Civil, também poderia ser substituido por um mais democrático.

No entanto, e gostaria de centrar o meu comentário nesta ideia, acho que antes de avançarmos para uma institucionalização efectiva da regionalização, se deveria pensar na reformulação da politica local.

Fará sentido cada Municipio, olhar para o seu proprio umbigo, e realizar grandes obras publicas por uma questão de orgulho próprio e alimento de ego dos autarcas?

O dinheiro dos contribuintes não seria dispendido de forma mais eficiente se em vez de se pensar em construir um parque de exposições por municipio se pensasse em construir um parque de exposições comum para 2 ou 3 municipios.

E se em vez de se construir um mini centro de saude em vila viçosa, outro em borba e outro no alandroal se se construisse um hospital para os 3 concelhos, com mais utentes, é certo, mas também mais especialidades, logo com outras possibilidades e multiplas vantagens para os utentes...

bem e os exemplos poderiam continuar, há coisas que não fazem sentido sozinhas, mas para um grupo de municipios faria, e o nosso dinheiro seria muito melhor empregue, é tudo uma questão de
Orgulho Vs. Eficiencia
Ou não fosse desde sempre esta a nossa sina...

Abraços
Chico

terça-feira, 03 maio, 2005  
Anonymous Anónimo said...

bem claramente se nota que temos de tre em consideração, somos claramente de identica formação, é obvio que tens toda a razão chico, e não só concordo contigo como ainda te posso dizer que a universidade de evora fez um estudo para uma zona industrial muito mais produtiva na zona das marmores, proxima a santiago maior e que serviria vila viçosa, borba e estremoz para teres uma noção, haveria um aumento de 20% em relação a empresas lá existentes e seria em 10 anos no maior parque industrial do alentejo, sabes qual foi a resposta a tais ideias! uma zona industrial em bencatel, uma na nora etc... o que fazer quando o que na realidade tem que ser alterado é a mentalidade dos nossos lideres... talvez esteja a chegar a hora para nós independetes mostrar-mos como é facil mudar o rumo de uma região, não acham!?

quinta-feira, 05 maio, 2005  

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