terça-feira, maio 03, 2005

Agora é que se queixam!!!

As mais recentes relações sino-europeias deixam-me de facto muito preocupado com o futuro da velha Europa e do nosso Portugal.

O que se passou no acordo comercial entre China e União Europeia só me faz lembrar a táctica que usava para conquistar os adversários mais fortes no jogo Age of Imperies II:
Ponto um: Resistia às investidas dos inimigos e passava muito tempo a construir e criar um exército poderoso.
Ponto dois: Quando já tinha um exército quase imbatível, pagava um tributo ao meu adversário para que este não me considerasse inimigo e se tornasse até meu aliado.
Ponto três: Enviava para o território do meu suposto “aliado” parte do exército e trabalhadores para que construíssem lá novas escolas de guerreiros, cavaleiros, arqueiros etc. e criava ainda mais tropas.
Ponto quatro: Enviava para o território do “aliado” ainda mais tropas (a juntar às iniciais e às criadas no território).
Ponto cinco: Quando sentia ser capaz de destruir o “aliado” quebrava o acordo e destruía-o por dentro, a partir do seu próprio território. Simultaneamente, os padres convertiam, a favor da minha causa, alguns dos “aliados-inimigos”.
Ponto seis: As baixas, e considerando a população total do Império eram mínimas. A vitória era absoluta e sem danos para o meu Império. Os perigos eram mínimos, pois eles poderiam de facto utilizar a mesma estratégia contra mim, mas existia uma grande diferença: eu estava preparado para entrar no território deles e enquanto eles pensavam em como atacar eu já os tinha destruído!

O que é que existe de diferente entre o jogo e as novas relação entre China e Europa?

Ponto um: A China resiste, embora cada vez com mais dificuldade, ao chamado “capitalismo moderno” do qual os EUA e a EU são a cara mais conhecida. Mesmo transmitindo uma leve sensação de abertura, as portas continuam fechadas. Desta maneira, continuam a produzir e armazenar produtos e a delinear estratégias comerciais.
Ponto dois: Quando já tinham muitos milhões de euros investidos em produtos que significariam um encaixe financeiro tremendo em lucros (relação custo/venda certo?), lembraram-se de simular a abertura do mercado à Europa. Esta estratégia resume-se ao mais recente acordo comercial entre a Europa e a China.
Ponto três: Depois de tudo acordado, a China começou a exportar esses produtos para a Europa, a baixo preço (que é o que a malta gosta e eu também já sucumbi a esses preços!). Paga ao seu povo para vir para a Europa e paga também as despesas na criação e montagem das tão famosas “lojas dos chineses” (ainda há aldeia que não tenha pelo menos uma?).
Ponto quatro: A China vai mais longe: paga fábricas, que já foram construídas em território europeu (nomeadamente na Catalunha), e onde só trabalham chineses, que receberam dinheiro para deixar a China (as leis do trabalho nestas fábricas são as mesmas praticadas no seu território: 24h sob 24h de trabalho!).
Ponto cinco: Passado pouco tempo do acordo comercial estar assinado, a UE reconsidera já a reformulação do mesmo. Só agora percebeu que não é capaz de competir com a máquina chinesa! Não era preciso perceber muito do assunto para se descobrir que isto ia acontecer. Já fecharam centenas de fábricas de têxteis pela Europa fora. Todos sabemos que, em termos de emprego e economia, se o resto da Europa está mal, Portugal está péssimo! Presumo que a proporção será de cerca de 100 investidores chineses na Europa para 1 europeu na China.
Ponto seis: O facto de diminuir a população no seu território representa um alívio enorme para o governo de Pequim que acaba ainda por dar vazão aos produtos que fabrica. Nunca perde; só ganha.

Os governantes não deviam perder tanto tempo com jogos de bastidores e jogos por baixo das mesas (entenda-se obscuros!) e deviam jogar mais jogos de PC. Ajudá-los-ia a desenvolver a capacidade estratégica. Assim estariam precavidos para os ataques do adversário e talvez aprendessem também qual a melhor maneira de sobreviver e atacar!

4 Comentários:

Anonymous Anónimo said...

Gostei da analogia, porque também eu fui e sou viciado em Age of Empires, se bem que essa táctica é um bocado desleal, enfim, mas perfeita a comparação, o que há de leal no procedimento que a China tá a tomar?

Não me restam grandes duvidas, a China vai ser a grande potencia do século XXI e a assumir-se como tal, devido à sua dimensão, cultura etc, a seu hegemonia terá todas as condições para durar muito mais do que qualquer dominio até agora...

Ou eu muito me engano ou ainda teremos saudades de hegemonia americana...

chico

terça-feira, 03 maio, 2005  
Blogger Templar said...

A ultima vez que ouvi a economia chinesa estava com um valor de crescimento de entre 10 e 30% agora o valor ainda deve ser maior.
E a Europa já recebeu um pouco do problema quando os texteis chineses invadiram o mercado europeu.
Esperemos que medidas concretas sejam tomadas.

quarta-feira, 04 maio, 2005  
Blogger D. Nuno Álvares Pereira said...

Chico, não me parece que (no jogo) a estratégia seja desleal! Desleal é eu ter três barquinhos d epesca e ser atacado por uma catapulta de fogo! Isso é cobardia.

Mais a sério, a Europa sabia que isto se ia passar. Os governantes sabiam que a China é economicamente mais poderosa que a UE. Mas, como sempre, prevalece o politicamente correcto e a vontade de transmitir a ideia e a imagem de que a China se converteu ao resto do mundo. Eles não foram desleais, nós é que fomos parvos, e pior porque quisemos sê-lo.

Abraços grandes e tenta resistir ao Chop Suey!

quarta-feira, 04 maio, 2005  
Blogger D. Nuno Álvares Pereira said...

Como diz o Templar, espero quie quaisquer medidas que possam ser tomadas sejam eficazes e tomadas a tempo. Esperamos...

Abraços para Tomar, vou tentar visitar ela "bela localidade" nas próximas férias

quarta-feira, 04 maio, 2005  

Publicar um comentário

<< Home