sexta-feira, abril 29, 2005

Frase da Semana - 15

Aos amigos das "bohemias", do paintball, das tardes na esplanada dos caracóis, das jantaradas de Universidade e dos jantares de fim de seman. Aos amigos do futebol, da política mas sobretudo aos amigos de sempre e para sempre. A frase da semana desta vez é para especialmente para vocês:

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos. A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida... mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure sempre...

Vinícius de Moraes

quarta-feira, abril 27, 2005

Frase da Semana - 14

No passado sábado tomei uma decisão importante e que em breve os meus correlegionários terão conhecimento. Esta citação ajuda-me a acreditar que tomei a decisão certa; é o que sinto e os sentimentos não se enganam.
"Acredita no teu próprio pensamento; crer que o que é certo para ti, no teu coração, o é também para todos os homens - isso é o génio. Expressa a tua convicção latente e ela será o juízo universal; pois sempre o mais íntimo se converte no mais externo(...) "

Ralph Waldo Emerson

quarta-feira, abril 20, 2005

Finalmente CMVV actualizada na NET

Verdade seja dita e justiça seja feita, o sítio da Câmara Municipal de Vila Viçosa demorou a ser actualizado mas agora está muito bom. Aconselho a visita, até porque tem uma galeria de fotos da vila e como a vila é linda as fotos não podiam ser feias!!!

Visitem CM Vila Vicosa.
(link na barra lateral)

Política à moda da aldeia

Em ano de eleições já se sabe como é: inaugurações e primeiras pedras.
Quando a inauguração é feita, apesar de muitas vezes com a obra inacabada e no timing que mais convém ao poder instaurado, significa sempre algo novo para a população; agora as primeiras pedras...deixam-me sempre céptico em relação às obras que se anteveêm. Era melhor fazer a festa na última pedra, ou na última janela, ou lâmpada mas pronto, o poder do voto a isto obriga.
E isto tudo porque em Vila Viçosa correm já rumores que, finalmente e ao fim de 3 mandatos, a ETAR vai ser construída! Mas são rumores, certezas só os Xutos e Pontapés e o Tony Carreira para as Festas (desvirtuadas) dos Capuchos.
Lá está, ano de eleições...

Mais energia para mudar a Energia

Como explicar a alguém que uma pilha por mais potente que seja, a sua energia chega ao fim? Como explicar à população mundial, que vive num mundo onde a energia é não só uma necessidade, como também o bem mais essencial e que por si mesmo faz viver toda a humanidade, e que essa história está a chegar ao fim?
A vida humana vive hoje dependendo de uma energia esgotável e que o homem não tem sabido poupar ou mesmo renovar ou substituir. O petróleo é a força energética mais importante do homem, mas está neste mesmo momento a chegar ao fim, e mesmo que o contrário seja dito por muitos, acredite que esta afirmação é real! Em meados dos anos 90, foi feita uma previsão na qual se esperava que 2045 fosse o ano em que este recurso energético se esgotasse. Acontece que esta previsão era feita com base na média do consumo de petróleo que até ai vinha sendo feita, agora, 10 anos mais tarde, essa média mais do que duplicou. Para tal, as razões são diversas: a abertura da China ao mundo ocidental (o que provocou um aumento do consumo mundial), aumento da humanidade, aumento do consumo dos países mais desenvolvidos, entre muitos outros.
O mundo não tentou mudar, mesmo que tenha tido durante estes anos todos a possibilidade de o fazer; a energia eólica, a energia hidráulica e muitas outras surgiram como alternativas credíveis que necessitavam só uma coisa: uma aposta e investimento real na adaptação de todos as máquinas que até ai utilizavam o petróleo.
Mas o mundo estará, neste momento, bem próximo de uma mudança obrigatória e, por sinal, bastante brusca e agressiva. Quando surgir, a economia mundial sofrerá, a meu ver, um momento bastante difícil, e não nos devemos esquecer que é nessas alturas que o ser humano e as grandes potências entram em grandes conflitos, por isso, este será de certo um momento que por si só poderá deixar mais uma vez uma página escrita no livro da História.
A guerra do Iraque não deve ser vista como uma libertação de um povo, pois este facto não sucedeu e não sucederá, a guerra de um povo que sofre e sofrerá é cada vez mais visível. Esta foi sim, a guerra de uma nação procurando repor as suas reservas de petróleo, reservas essas que estão previstas durar cerca de 8 anos, o suficiente para se organizarem e poderem sair da crise que o fim do petróleo provocará.
O mundo deveria estar já a pensar como vai viver os próximos 100 anos, mas estão mais preocupados em prever o dia de amanhã.
Já agora, e seguindo a onda, a minha previsão pessoal: o petróleo vai chegar até ao final do ano aos 50 USD, o que acompanhada com uma valorização do euro em relação ao dólar, provocará uma estagnação das economias europeias. Estavam à espera de algo positivo?
Jorge Ferreira

segunda-feira, abril 18, 2005

Aljubarrota está viva!

"Para todo o homem, quer como indivíduo, quer como membro de uma colectividade, há sempre um reduzido número de lugares ou de nomes que sobre ele exercem uma magia singular (...) " Para nós, Portugueses, Aljubarrota é um desses poucos lugares e um desses raros nomes."

Partilho com os autores destas frases o mesmo sítio de “magia singular”. Aljubarrota. Foi ao acaso que descobri na rede o sítio da Associação dos Amigos do Campo Militar de S. Jorge.


Esta associação foi criada com o objectivo máximo de preservar o Campo Militar de S. Jorge e os terrenos onde se deu a
Batalha de Aljubarrota, tentando assim manter intacta uma parte do Património Nacional e da nossa História e é constituída por todos os cidadãos que partilham desses objectivos e que estão dispostos a colaborar na sua concretização.

No sítio, podemos encontrar quase tudo sobre a Batalha de Aljubarrota, desde significado e originalidade aos principais momentos da batalha, descritos com esquemas para que nenhum pormenor escape ao visitante.
Visite e deixe-se impressionar com a magnífica estratégia delineada pelas hostes lusas para esta batalha.

Bem hajam todos os que preservam vivo o espírito e alma lusitana.

sexta-feira, abril 15, 2005

Leituras em avulso: "Para Sempre" de Vergílio Ferreira

«E foi quando, na vastidão astral. Meu Deus, eu devia ser grave. Regressado ao silêncio fundamental - e falas tanto. Revestido ao osso da minha amargura. Que é que significa falares? e discreteares como se para um público a ouvir. Estás só, não há ninguem a não ser público a tua volta. Nem tu. Mas de súbito, que sarrabulhada. De norte a sul, este a oeste. Era um cacarejo estridente, ouço-o na minha aflição. Dos quatro cantos do mundo, estou parado à varanda, a montanha aguenta no dorso toneladas de calor...»

Mais um grande romance de Vergílio Ferreira, um grande autor português, que expõe em "Para Sempre" os seus pensamentos. Em "Para Sempre" Vergílio revive alguns momentos do seu passado e vive o seu futuro.
Imperdível.
Recomendo a sua leitura.

Estou para ver...

Li no Alentejanices, a quem agradeço e link e envio um abraço, que alguém em Estremoz se prepara ou já abriu uma porta na muralha do castelo de Estremoz (que é quase tão bonito como o de Vila Viçosa, modéstia à parte!).
Quando questionado, o IPAAR respondeu ao Alentejanices "Agradecemos a sua preocupação com a abertura de um vão junto às portas dos currais, em Estremoz. Informamos que o IPPAR está a acompanhar a intervenção."
Estou a ver o acompanhamento: primeiro faz-se a obra, depois abre-se o inquérito e espera-se que prescreva. Mais um, e como tudo neste país!

Quem tem razão é o Prof. Adelino Maltez em entrevista ao "Diabo" e que o Geraldo Sem Pavor destaca no post Imprescindível, este "é o estado das coisas".

segunda-feira, abril 11, 2005

Frase da semana - 13

"Se não receio o erro é porque estou sempre pronto a corrigi-lo."
Bento de Jesus Caraça

A estátua das incógnitas

O meu colega Alentejano SA já tinha postado sobre uma nova estátua a colocar na Praça da República (em frente ao mítico café "Restauração") e sobre quem seria o feliz contemplado.
Agora surge a resposta (e a estátua) and the winner is.... Bento de Jesus Caraça.
Mas quem foi este ilustre calipolense?
Bento de Jesus Caraça nasceu a 18 de Abril de 1901, na Rua dos Fidalgos, em Vila Viçosa, numa modesta dependência do Convento das Chagas, onde se alojavam alguns criados da casa de Bragança. Era filho de trabalhadores rurais: João António Caraça e Domingas da Conceição Espadinha.
Talentoso matemático e professor universitário, não só sabia criar nos alunos aplicação e gosto pelo estudo, como criar amigos com os quais permanentemente passava a conviver.
Lutador da liberdade e da democracia, apontava como horizonte mais vasto profundas transformações sociais.
Homem de cultura, atacava o monopólio cultural das classes dominantes , apontava o caminho da criatividade e da fruição culturais pelo povo e sublinhava o consequente imperativo da solução dos graves problemas económicos das massas trabalhadoras. Deu uma importante contribuição para a democratização da cultura. Apontando o valor e o papel do indivíduo, inseria a sua actividade em realizações colectivas.
Homem de profundas convicções, reflectia e incitava os outros a reflectirem, respeitava as opiniões diferentes, era sereno na controvérsia. E porque confiava no futuro, acreditava na juventude, convivia com os jovens, que com ele conversavam e passeavam. E nem ele nem os os jovens sentiam as diferenças da idade.
Morreu em Lisboa, a 25 de Junho de 1948, com apenas 47 anos de idade. O seu funeral transformou-se numa impressionante manifestação de pesar e de homenagem sentida a um dos maiores vultos da intelectualidade portuguesa que jamais traiu a sua humilde e honrada condição de classe.
Será dele a frase da semana.

Qual será o poder do poder concentrado?

Com a mais que esperada (e desejada) vitória de Marques Mendes, o poder do PSD encontra-se agora mais concentrado que nunca numa pessoa, o próprio Marques Mendes, que dada a sua estatura concentra mais poder que qualquer outro líder do PSD. Capaz de ombrear com ele só mesmo António Vitorino.

Mas, e brincadeiras à parte, Marque Mendes mostrou ser um homem com capacidade para reconduzir, re-organizar e tirar o PSD do fundo do poço onde o deixaram.

Num congresso que para alguns foi "frouxo", ficou na retina a mensagem final de oposição moderada a bem de Portugal mas também o sorriso de Manuela Ferreira Leite (já alguém a tinha visto sorrir?) e as mensagens de união interna (esperam-se que verdadeiras).

Como frisou Jerónimo de Sousa, o PSD está mais forte depois do congresso de ontem e Portugal precisa de um PSD forte.

Borba na blogosfera

Cada são mais as terras alentejanaas onde existe pelo menos um blog activo.
Aqui ao lado, no concelho vizinho (Borba), destaca-se o
Alto da Praça. Sempre atento às novidades da terra, destaca-se pelo profundo orgulho em ser borbense.

O D. Nuno dá os parabéns e a proveita também para agradecer o link do Porta Bandeira.

Só mais umas palavras para os mais de 3000 visitantes: obrigado pelas visitas e comentem mais!!!! A blogosfera é grátis e ajuda a evolução!!

terça-feira, abril 05, 2005

Obrigado João Paulo II

Cruzamo-nos muitas vezes espiritualmente mas apenas duas vezes fisicamente. Digo apenas porque admirar-te e observar-te nunca é demais.
A primeira foi em 1982, em Vila Viçosa, não sei se serão rasgos de memória (pois não sei até que ponto poderão existir memórias de quando se tem somente um ano de idade!!) ou “cenas” feitas pela minha imaginação de tanto ouvir falar na tua personagem, mas recordo-me (ou pseudo-recordo-me) de alguns momentos.
A segunda, e de longe mais marcante, foi em Paris, no Encontro Mundial dos Jovens Católicos.

Estávamos no último dia do Encontro e ainda não te tinha sequer visto sem ser nos ecrã-gigantes que estavam espalhados pelo Hipódromo. Queixei-me várias vezes disso.
Nesse último dia, estavam no hipódromo cerca de dois milhões de jovens e à hora de partir, é claro que me perdi do resto do grupo. Eu, e mais uns colegas, andamos sós cerca de 5 horas (percorrer os Campos Elísios de ponta a ponta é dose!!! É incrível como o Arco do Triunfo parece estar já lá ali...). Mas foi antes de chegar aos Campos Elísios que ( e não acredito que acontecimentos desta natureza sejam tão somente coincidências) que, de repente e sem nada o fazer prever, numa rua onde se encontrava muito pouca gente, tu passas-te no papamóvel. O teu olhar ficou gravado em mim! Nunca mais me esqueci desse olhar nem do discurso que fizeste depositando toda a confiança em nós e no nosso futuro. Passaste-nos uma grande responsabilidade e ganhas-te ainda mais a nossa confiança, o nosso respeito, a nossa admiração.
Se não me tivesses perdido, e por esse motivo ter-me cruzado contigo, que olhar teria eu guardado para me apoiar nas horas más?

Foste sempre um guia que primou pela exemplaridade, Guiccinardini disse um dia que “Quem tem fé é obstinado em relação à sua crença e caminha intrépido e resoluto, desprezando dificuldades e perigos, decidido a vencer qualquer percalço. “ e esta citação é um grande exemplo da tua caminhada.

A minha homenagem à tua pessoa não é nada que possa escrever ou dizer de ti, a minha homenagem à tua pessoa e à tua vida será seguir os teus passos e continuar a tua luta. Foste o maior lutador da Paz, da solidariedade e da tolerância entre os povos e as religiões e prova disso são os milhões que choram a tua viagem para junto do Pai.

A minha homenagem será seguir a tua doutrina e procurar “deixar o mundo em melhores condições do que as que encontraste à nascença” (Sir Baden-Powell).

Até sempre João Paulo II...

Frase da semana 12

A todos os que lutam diariamente por um mundo melhor....

"A prosperidade não existe sem temores nem desgostos, nem a adversidade sem consolos e sem esperança."
Francis Bacon

Frase da semana 11

Conselho a Marques Mendes...

"O comando deve ser um apêndice da exemplaridade."

J. Ortega y Gasset

Frase da semana 10

A Freitas do Amaral...

"Vale mais ter o respeito do que a admiração das pessoas."

Jean Jacques Rousseau

segunda-feira, abril 04, 2005

Quem foi Karol Wojtyla?

João Paulo II, Karol Wojtyla de seu verdadeiro nome, nasceu a 18 de Maio de 1920 em Wadowice, perto de Cracóvia, no sul da Polónia, e depois de manifestar algum interesse pelo teatro e literatura acabou por enveredar pelo sacerdócio, a conselho do cardeal Spiheda.

Durante a invasão nazi da Polónia, Wojtyla e um grupo de jovens polacos criaram uma universidade clandestina, como forma de resistirem ao encerramento das universidades polacas decretado pelos alemães.
Por razões de sobrevivência, viu-se posteriormente obrigado a trabalhar como mineiro.

Ordenado sacerdote em 1946, Wojtyla licenciou-se em Teologia na Universidade Pontifícia de Roma Angelica e mais tarde em Filosofia, desempenhando depois as funções de docente na Universidade Católica de Lublin e na Universidade Estatal de Cracóvia, onde conheceu importantes representantes do movimento católico polaco.
Em 1958, foi consagrado Bispo Auxiliar do Administrador Apostólico de Cracóvia, monsenhor Baziak, tornando-se o mais novo membro do Episcopado polaco.

Participou nos trabalhos do Concílio Vaticano II e, com a morte de Baziak, em 1964, passou a desempenhar as funções de Bispo, cargo que ocupou durante dois anos, altura em que o Papa Paulo VI elevou Cracóvia a Arquidiocese.

Três anos mais tarde, em 1967, o arcebispo Wojtyla era ordenado cardeal.

A 16 de Outubro de 1978, depois da morte de João Paulo I, 33 dias após a sua eleição como Papa, Karol Wojtyla foi eleito, aos 58 anos, como o 265/o sucessor de Pedro à frente dos destinos da Igreja Católica, interrompendo mais de 400 anos de eleição de Papas italianos.

Adoptou o nome de João Paulo II em homenagem ao seu antecessor e depressa se colocou do lado da paz e da concórdia internacionais, com intervenções frequentes em defesa dos direitos humanos e das Nações.
Promoveu sempre uma Europa do Atlântico aos Urais e foram frequentes as condenações dos conflitos, como no caso da Jugoslávia ou do Médio Oriente, do Afeganistão e do Iraque nos seus mais de 2400 discursos e documentos.

A Igreja Católica é, no entanto, frequentemente criticada por não ter realizado as grandes reformas que os católicos esperavam depois do Concílio do Vaticano II.

O casamento dos sacerdotes, a ordenação de mulheres e os princípios tradicionais da Igreja Católica no domínio da moral sexual, nomeadamente quanto ao uso de contraceptivos (num mundo em que a epidemia de Sida faz milhões de vítimas) e ao direito ao aborto, são matérias em que o Vaticano permaneceu irredutível durante o pontificado de João Paulo II, criando um fosse de incompreensão e afastando da Igreja muitos católicos.
Lutou contra o comunismo na sua Polónia natal e ajudou a derrotá-lo no mundo, mas também criticou o Ocidente opulento e egoísta, dando voz ao Terceiro Mundo e aos pobres.

Durante a sua visita a Cuba, em Janeiro de 1998, que marcou o fim de 39 anos de relações tensas entre a Igreja Católica e o regime de Fidel Castro, o Papa condenou o embargo económico dos Estados Unidos ao país, declarando que tais medidas eram «condenáveis por lesarem os mais necessitados».
Promotor de uma aproximação às outras grandes religiões monoteístas do mundo, João Paulo II enfrentou no entanto acusações de «proselitismo agressivo» feitas pelo mundo Ortodoxo.
A reconciliação com os judeus marcou a sua viagem à Terra Santa em Março de 2000 e uma «viragem» nas relações entre as duas religiões.
João Paulo II pediu perdão, a 12 de Março de 2000, pelos erros e crimes cometidos pela Igreja no passado, especialmente contra os judeus, pedido repetido junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, o lugar mais sagrado do judaísmo.
As comemorações do Jubileu do ano 2000 representam outro marco deste pontificado, tendo a Igreja Católica assinalado os 2.000 anos do nascimento de Jesus Cristo com mais de 30 dias festivos consagrados às diferentes categorias de fiéis, iniciados com o Jubileu das crianças e terminados com o do mundo do espectáculo, e uma Carta Apostólica indicando o caminho a seguir no «Novo Millennio Ineunte» (novo milénio que agora começa).
A imagem de João Paulo II a fechar a Porta Santa da basílica de São Pedro no Vaticano, a 06 de Janeiro de 2001, ficará para a história de um Jubileu em que o Papa apelou a uma «nova evangelização».
João Paulo II ficará também para a história como o Papa que mais visitas pastorais fez durante os mais de 26 anos em que esteve à frente da Igreja Católica, contribuindo com as suas 104 viagens, a 131 países, para a internacionalização do Vaticano, para a afirmação da sua autoridade e para desvincular a imagem papal da burocracia eclesiástica.
As suas últimas deslocações tiveram como destino a Suíça, em Junho de 2004 e, em Agosto do mesmo ano, Lourdes, em França, onde efectuou uma peregrinação por ocasião do 150/o aniversário da promulgação do Dogma da Imaculada Conceição, durante a qual celebrou uma missa na Praça do Santuário e se recolheu em oração privada na Gruta das Aparições de Massabielle.
Ao todo, percorreu, durante as suas visitas pastorais, mais de 1.700.000 quilómetros, o equivalente a mais de 31 voltas ao mundo.
João Paulo II não conseguiu, no entanto, visitar a China, que conta 10 milhões de católicos (menos de 1 por cento da população), pelo facto de a Santa Sé manter relações diplomáticas com Taiwan e de ter, no final da década de 90, canonizado 120 «mártires católicos» que morreram no país no início do século XX.
As autoridades chinesas classificaram-nos como «notórios criminosos» e o incidente nunca foi ultrapassado, apesar de se terem realizado conversações secretas nesse sentido entre Pequim e o Vaticano.
A Rússia foi o outro país que o Papa sempre quis visitar, mas não obteve «luz verde» do patriarcado ortodoxo de Moscovo, que nunca ultrapassou o facto de o Vaticano não concordar que mais de 2.000 paróquias retomadas pelos católicos aos ortodoxos na década de 90 sejam utilizadas conjuntamente pelas duas correntes cristãs e de a Santa Sé ter criado em 2002 quatro dioceses permanentes no país.
Outra das viagens importantes de João Paulo II foi a que realizou à Grécia, Síria e Malta no início de Maio de 2001, cumprindo um desejo expresso em 1999 de efectuar uma peregrinação aos lugares relacionados com a «história da salvação» e percorrer os passos do Apóstolo São Paulo.
Na capital da Grécia, país tradicionalmente ortodoxo, o Papa pediu «perdão» perante o chefe da Igreja ortodoxa grega, monsenhor Christodoulos, pelos católicos que «pecaram contra os ortodoxos», durante a primeira visita de um Sumo Pontífice católico à Grécia desde a separação das Igrejas Católica e Ortodoxa no cisma de 1054.
A visita à mesquita dos Omeídas, onde o Papa se recolheu em oração junto ao túmulo de São João Baptista, marcou a deslocação à Síria, tendo sido a primeira vez na história em que um chefe da Igreja Católica entrou numa mesquita.
Histórica foi também a viagem que João Paulo II fez à Ucrânia entre 23 e 27 de Junho de 2001, a primeira a um país da ex-União Soviética, apesar da oposição do patriarca ortodoxo de Moscovo, Alexis II, que acusou a Igreja católica de «proselitismo» nos territórios tradicionalmente ortodoxos e impediu o Sumo Pontífice de encontrar-se com os chefes das comunidades religiosas ucranianas, maioritariamente ortodoxas.
Nesta deslocação, o Papa homenageou a Igreja católica grega (dita uniata, fiel ao Vaticano mas de rito oriental), duramente perseguida durante o regime comunista, que confiscou muitos dos seus bens, e apelou à unidade entre católicos e ortodoxos, envolvidos desde a independência do país, em 1991, em disputas muitas vezes violentas por paróquias, bens e fiéis.
João Paulo II pediu também perdão pelos «erros» cometidos contra os ortodoxos, garantindo que os católicos «perdoam as torturas sofridas», e efectuou, pela primeira vez segundo o rito bizantino, a beatificação de 27 ucranianos, 26 vítimas da repressão comunista e uma vítima do genocídio nazi.
Em Novembro de 2001, o Papa surpreendeu todos quando decidiu fazer uma peregrinação de comboio a Assis (Itália), convidando todos os líderes religiosos mundiais a rezarem pela paz na Basílica de S.
Francisco, numa altura em que as tensões entre as religiões eram grandes, devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente e à intervenção norte-americana no Afeganistão, originada pelos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.
Esta Oração Mundial Pela Paz, que se realizou a 24 de Janeiro de 2002 e foi presidida por João Paulo II, reuniu em Assis líderes de 48 confissões de todo o mundo (à semelhança do que acontecera em 1962 e 1986), que se comprometeram a «não utilizar o nome de Deus em altares de violência» e a trabalhar em conjunto pela paz.
A 28 de Março de 2002, pela primeira vez em 24 anos de pontificado, o Papa renunciou a celebrar pessoalmente a cerimónia do lava-pés, de evocação da última ceia de Cristo, durante a missa de quinta-feira santa, na basílica de São Pedro.
Devido a uma artrose no joelho direito que quase o deixou imobilizado, o Papa, que em Maio seguinte completaria 82 anos, não pôde também dizer a missa que deu início aos três dias de celebrações pascais.
Julho de 2002 ficará também registado na história do Pontificado de João Paulo II como a data da sua 97/a viagem.
Apesar do seu precário estado de saúde, o Papa deslocou-se ao Canadá para participar na XVII Jornada Mundial da Juventude e depois à Guatemala e ao México, onde canonizou um missionário de origem espanhola e um indígena, respectivamente.
Nos seus mais de 26 anos de Pontificado, o papa João Paulo II celebrou 1.345 beatificações e proclamou 483 santos.
Noutro plano, João Paulo II expressou a sua «tristeza e vergonha» pelos abusos sexuais de menores cometidos por padres em várias partes do mundo, que afectaram seriamente em 2002 a credibilidade da Igreja católica e, em particular, a hierarquia eclesiástica dos Estados Unidos, acusada de encobrir actos pedófilos de sacerdotes seus.
Em Agosto desse ano, por ocasião da sua nona visita à Polónia, seu país natal, João Paulo II celebrou uma missa campal que concentrou 2,2 milhões de pessoas no parque de Blonie, em Cracóvia.
Inteiramente consagrada a Cracóvia, cidade onde foi padre, bispo e cardeal antes de ser eleito Papa, em 1978, a visita de quatro dias permitiria também a Karol Wojtyla visitar as suas origens e o túmulo dos pais num cemitério local.
Entre as numerosas viagens que realizou, o Sumo Pontífice católico esteve em Portugal três vezes: entre 11 e 14 de Maio de 1982, de 10 a 13 de Maio de 1991, ano em que visitou também as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, e a 13 de Maio de 2000, quando beatificou dois dos pastorinhos de Fátima.
Fátima ficará para sempre ligada a João Paulo II, já que, de acordo com fontes da Igreja, o chamado «terceiro segredo de Fátima» terá sido a revelação aos três pastorinhos do atentado de que o Papa foi vítima na praça de São Pedro em Roma, a 13 de Maio de 1981, quando o turco Ali Agca o atingiu a tiro na mão esquerda, abdómen e braço direito.
Foi também em Fátima que o padre espanhol Juan Fernandez Khron atentou contra João Paulo II a 14 de Maio de 1982, mas desta vez sem consequências para o Papa.
Esteve hospitalizado várias vezes em consequência do primeiro atentado e foi submetido a seis operações, nomeadamente a uma fractura do colo do fémur em 1994.
A este quadro clínico, somava-se a doença de Parkinson, de que também sofria, sequelas dos ferimentos do atentado e de um cancro no intestino e uma hemiplegia facial que visivelmente lhe dificultava a fala.
Apesar da debilidade física que marcou a fase final do seu pontificado, e que suscitou, em várias ocasiões, rumores sobre a sua morte, nunca perdeu a capacidade missionária e por várias vezes afirmou que levaria o episcopado «até ao fim».
João Paulo II subscreveu e estabeleceu balizas doutrinárias praticamente sobre tudo: desde a família, sexo, aborto, controlo de natalidade e homossexualidade, até às novas ciências tecnológicas, biogenética e formas de organização comunitária e de acção social.
Por isso, suscitou as classificações mais diversas: profeta e restaurador, chefe do despertar espiritual e apoiante de um neo- temporalismo, teórico dos direitos humanos e nostálgico do papel subalterno da mulher.
Entre uma viagem e outra, João Paulo II escreveu 14 encíclicas, que os especialistas analisam para fazer um balanço do seu pontificado, considerando que, apesar da importância de algumas delas, nenhuma envolveu mudanças de fundo no seio da própria Igreja Católica.
Diário Digital / Lusa
02-04-2005 21:10:00

De volta...

Caros visitantes e amigos, peço desculpa pelos quinze dias de silêncio mas a justificação para tal prendesse tão só e somente com o facto de ter estado a gozar umas merecidas férias (modéstia à parte!!).
Voltamos hoje à actividade bloguista e à luta de um mundo melhor.

Desculpem todos, mais uma vez, e obrigado pelo apoio.