quarta-feira, março 02, 2005

Um Portugal Diferente – o pós-eleições

Poucos podiam esperar um resultado como o que aconteceu. As expectativas das diferentes partes da sociedade, foram positivamente e negativamente superadas, dependendo das características partidárias de cada uma das facções.
O que na realidade muda, é muito mais do que previamente poderia ser esperado.
Por um lado, a economia irá de certo ter um período no qual as expectativas irão levar ao colo os diversos índices, que acredito, e até ao final do ano, poderão levar a um crescimento económico falsamente sustentado, pois, 2006, irá contrabalançar esta tendência.
Por outro lado, socialmente o país verá uma diminuição do desemprego, mas sustentada num claro aumento do monstro da função pública, com aumentos salariais não superiores à inflação.
Não poderemos, no entanto, esquecer um aviso dado pelo Bloco de Esquerda, que acredito que deve ser levado muito a sério: o aborto veio para ficar! E a regionalização também, sendo que acredito que, ainda este ano, o referendo venha a ser uma realidade.
Não poderemos esquecer ainda um aumento do IRS, que irá incidir principalmente na classe média, e no final de 2006 esta terá perdido essencialmente 2% a 5 % do seu poder de compra.
Por outro lado, teremos mais auto-estradas sem portagens.
No essencial, acredito ainda que venham a surgir problemas ainda maiores com o défice e que em 2005 esse supere os 4,5% tendo como base desta opinião o facto do PS desde o inicio da campanha ter claramente referido que era contra o pacto de estabilidade.
Durante 2006, prevejo que o país irá apostar num aumento das pessoas na função pública, o que irá claramente sufocar um crescimento sustentado da economia, contracenando-se tal situação com um melhoramento social das camadas mais desfavorecidas e que a médio prazo poderá não permitir um crescimento acima da média da U.E. pelo simples facto que quem faz crescer a economia como sabemos é a classe média.
Jorge M. S. Ferreira