domingo, outubro 31, 2004

A juventude europeia

Como é óbvio, as juventudes do mundo são diferentes, mas quais as particularidades da juventude europeia? Quais as suas expectativas, tendências, inquietações e reivindicações?
Segundo os dados do Eurobarómetro – sondagem de opinião sobre a juventude, realizada em 2001 e publicada no ano passado – revela que os jovens, apesar das críticas, acreditam que o sistema educativo é a estrutura que melhor prepara para a vida activa na sociedade seguindo-se a família e outras; curioso é o facto dos jovens pensarem que a televisão os prepara melhor para a vida em sociedade que os partidos políticos!
Esta corrente de opinião, se assim se lhe podemos chamar, revela-se no fraco interesse dos jovens pela vida associativa, visto que 50% dos inquiridos não pertenciam a qualquer associação e que, da metade restante, 28% faziam parte de clubes desportivos sobrando apenas 22% para grupos amadores, associações culturais, juventudes partidárias e outras!
A sondagem revelou ainda que o número de jovens a utilizar o computador duplicou desde 1997!! Será que é esta a causa para tão fraca participação associativista dos jovens europeus? Não acredito, visto a actividade preferida dos jovens europeus ser estar com os amigos. Talvez deva haver mais promoção das actividades e finalidades das associações, algo que motive os jovens à participação nas mesmas; caso contrário, não faz sentido a sua existência!
As expectativas dos jovens de hoje prendem-se sobretudo com a independência financeira, mas somente um terço dos jovens europeus vive fora da casa dos pais (e grande parte desse facto deve-se sobretudo a práticas culturais como é o caso da Grã-Bretanha, onde aos 18 anos se vai morar com os amigos) e a maior parte dos recursos financeiros de que dispõem, provém dos pais ou de outros familiares.
Curioso, é também, o facto de um em cada três jovens considerarem que, no seu país, existem demasiados estrangeiros e um cada dez considera que os estrangeiros deveriam regressar aos seus países. Estará a juventude europeia a tornar-se racista e/ou xenófoba devido à invasão de emigrantes que se têm registado nos últimos anos? Não o creio, mas o facto das más políticas governativas, nomeadamente no que concerne a saídas profissionais e empregabilidade, que têm o seu reflexo no número crescente de jovens desempregados, poderá de facto levar parte dos jovens a pensar que são os estrangeiros a causa do seu desemprego.
Para a juventude de oito dos quinze países da União Europeia, esta instituição representa, em primeiro lugar, a possibilidade de viajar, estudar e trabalhar sem fronteiras! Ainda assim, cerca quatro em cada dez jovens nunca saíram do seu país e três em cada dez não falam nenhuma língua estrangeira!
Esta juventude é ainda viciada no telemóvel (não é novidade), uma vez que 80% dos jovens o utilizam como meio de comunicação. O interesse na tecnologia é assim mais uma característica, uma vez que, em 1997, só um em cada dez jovens não utilizava nenhuma das tecnologias de informação e comunicação.
Com esta juventude houve, sem dúvida, uma queda dos modelos tradicionais: a saída de casa dos pais é mais tardia devido há dificuldade em arranjar emprego ou habitação, há menos garantias de sucesso no início da vida activa, etc. no entanto e apesar de mais individualista, a juventude reivindica o seu papel na sociedade, em parte devido ao revolucionário mundo das novas tecnologias, que compensa - não da melhor forma, no meu entender – o fosso entre estruturas políticas, e associativas, e a juventude. As relações sexuais são agora tidas como algo normal e ,mesmo antes do matrimónio, são não só melhor aceites, como são também uma prática corrente. Ao contrário, a juventude não se mostra muito favorável em relação à clonagem, casamentos entre homossexuais e introdução de organismos geneticamente modificados nos alimentos; um em cada quatro é ainda favorável à pena de morte.
É esta juventude que temos e somos.
Como definí-la? Sem dúvida: polémica.

1 Comentários:

Blogger Ângelo Masmorra said...

Realmente dados estatísticos são o que são e não há volta a dar-lhes. Apreciei muito a tua analise, bastante correcta e pertinente embora discorde num único aspecto: o facto de apelidares esta geração de polémica. Se te referes ao facto de não estarem tão alinhados e/ou empanhados do ponto de vista político devo concordar contigo até porque citando um grande homem: "A juventude é a chama acesa da Revolução".
Parece-me muito bem a tua análise acerca do fenómeno da imigração, nunca pensei que tivesses essa opinião.

Visitem famelz.blogspot.com um blog que não é sobre motos.

terça-feira, 16 novembro, 2004  

Publicar um comentário

<< Home