Geração (à) Rasca
Apelidaram a nossa geração de geração rasca. Nós preferimos geração à rasca. Mas, no meu entender, não é suficiente apelidar uma geração sem explicar as razões de tais denominações, ou melhor, as causas que levam a uma possível razão para a existência de tais denominações.
Muitas vezes ouvi uma desculpa que, presumivelmente, serviria para explicar o mal desta geração, era ela o facto não ter tido uma revolução. Pois bem, a verdade, segundo alguns, é a de que a esta geração estava reservada, não a tarefa de revolucionar, mas a de manter o que foi ganho pelas revoluções anteriores e para muita gente esta batalha já está perdida.
Não há regras ou se as há não se cumprem, não há códigos de ética ou de conduta, não há moral nem valores, não há sobretudo respeito pelos outros. Cada um faz o que quer e o pior é que nada é feito pela sociedade para que esse comportamento seja devidamente punido e censurado; as autoridades já não têm poder (entenda-se respeito), sejam elas a polícia, os professores, os pais e até mesmo as instâncias governativas. Tudo se descredibilizou, umas por consequências das atitudes de outrém, outras por culpa própria.
O resultado foi uma geração sem destino, rumo ou objectivos. Vive-se na corda bamba, cada dia como se fosse o último, não se pensa no dia depois, afinal a própria sociedade nos põe de parte, licencia-nos para nos despejar no desemprego, dá Pokemón e Dragon Ball para o lanche dos seus filhos, noticiários sensacionalistas e com notícias exploradas até à exaustão (e por vezes até ao ridículo) para o jantar, Batanetes, Big-Brothers, Quintas das Celebridades, Malucos do Riso e Vidas Reais para a sobremesa! E ainda nos chamam rasca?
Nós somos o bode expiatório de uma sociedade que soube fazer uma revolução mas que não teve noção dos limites que puderia atingir. Não soube como educar os filhos para que não se chegasse ao que se chegou: uma sociedade consumista e despreocupada que vive afundada no materialismo e no excesso e que não é capaz de formar opinião sobre nada. Tudo tem contestação e nada está bem: se o ladrão rouba e não é preso a culpa é do polícia que não faz nada, se o ladrão é preso e se queixa de algo o polícia é acusado de abuso de autoridade; se o filho passa de ano na escola é porque é inteligente, se não a culpa é do professor que não ensina; se se faz é porque se faz, se não se faz é porque não se faz, afinal o que queremos nós para o nosso país?
A esta geração compete-lhe controlar os excessos cometidos pelas outras, afinal o lema Sex, drugs & rock n’ roll não fomos nós que inventamos nem que iniciamos a sua prática, pois não?
Tudo está passado de moda e é necessário reformar o país, tanto a nível social como cultural, e essa renovação deve nascer na Educação ( a educação é a base de tudo). O problema é que até a educação está, também ela, a precisar de reformas profundas e estruturais (será tema para outra discussão) e nem sequer se sabe que tipo de educação se pretende, mas o problema não vem de agora, data já de algumas décadas.
O mundo evoluiu excessivamente, pensou-se haver espaço para tudo e para todos e a cada vez se apercebe mais que assim não o é e que há limites, não somos todos iguais.
A sociedade que crítica o jovem do brinco ou rapariga do piercing foi a mesma que não os soube educar de forma adequada. Porquê? Porque foi essa mesma sociedade insistiu em adiar o inadiável: o pensar de um futuro, um delinear de objectivos e princípios essenciais à vida enquanto sociedade.
Queixam-se mas nós não temos culpa, estamos agora a aprender a viver; muitos ainda nem sequer se aperceberam da tarefa que nos espera. Por isso mesmo, é com desagrado e preocupação que noto, eleição após eleição, o aumento da abstenção, o aumento crescente do desinteresse (aqui não só dos jovens mas de todos) pela política e pelo país. Fruto da má política que se faz em Portugal, fruto das oposições desmedidas e sem fundamento, onde se diz não por se ser do contra e nunca por ser melhor ou pior para o país.
Bela herança esta a de mudar mentalidades, hábitos etc., enfim, uma sociedade inteira que está à beira de um ataque de nervos e que reclama urgentemente por um Xanax!
Habituaram-nos ao facilitismo, mas aprendemos por nós próprios o valor das coisas e vamos lutar por elas!
Afinal, ainda falta realizar a revolução da nossa geração, a mais difícil de todas: a cultural!


2 Comentários:
Então a blogação é para ficar por aqui?
Vamos em frente, homem!!
Caro Manuel,
Os últimos tempos não foram fáceis em termos de tempo livre mas fica descansado que a blogação vai continuar.
Fico à espera da tua participação nos futuros posts.
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