domingo, outubro 31, 2004

Geração (à) Rasca

Apelidaram a nossa geração de geração rasca. Nós preferimos geração à rasca. Mas, no meu entender, não é suficiente apelidar uma geração sem explicar as razões de tais denominações, ou melhor, as causas que levam a uma possível razão para a existência de tais denominações.

Muitas vezes ouvi uma desculpa que, presumivelmente, serviria para explicar o mal desta geração, era ela o facto não ter tido uma revolução. Pois bem, a verdade, segundo alguns, é a de que a esta geração estava reservada, não a tarefa de revolucionar, mas a de manter o que foi ganho pelas revoluções anteriores e para muita gente esta batalha já está perdida.
Não há regras ou se as há não se cumprem, não há códigos de ética ou de conduta, não há moral nem valores, não há sobretudo respeito pelos outros. Cada um faz o que quer e o pior é que nada é feito pela sociedade para que esse comportamento seja devidamente punido e censurado; as autoridades já não têm poder (entenda-se respeito), sejam elas a polícia, os professores, os pais e até mesmo as instâncias governativas. Tudo se descredibilizou, umas por consequências das atitudes de outrém, outras por culpa própria.
O resultado foi uma geração sem destino, rumo ou objectivos. Vive-se na corda bamba, cada dia como se fosse o último, não se pensa no dia depois, afinal a própria sociedade nos põe de parte, licencia-nos para nos despejar no desemprego, dá Pokemón e Dragon Ball para o lanche dos seus filhos, noticiários sensacionalistas e com notícias exploradas até à exaustão (e por vezes até ao ridículo) para o jantar, Batanetes, Big-Brothers, Quintas das Celebridades, Malucos do Riso e Vidas Reais para a sobremesa! E ainda nos chamam rasca?

Nós somos o bode expiatório de uma sociedade que soube fazer uma revolução mas que não teve noção dos limites que puderia atingir. Não soube como educar os filhos para que não se chegasse ao que se chegou: uma sociedade consumista e despreocupada que vive afundada no materialismo e no excesso e que não é capaz de formar opinião sobre nada. Tudo tem contestação e nada está bem: se o ladrão rouba e não é preso a culpa é do polícia que não faz nada, se o ladrão é preso e se queixa de algo o polícia é acusado de abuso de autoridade; se o filho passa de ano na escola é porque é inteligente, se não a culpa é do professor que não ensina; se se faz é porque se faz, se não se faz é porque não se faz, afinal o que queremos nós para o nosso país?

A esta geração compete-lhe controlar os excessos cometidos pelas outras, afinal o lema Sex, drugs & rock n’ roll não fomos nós que inventamos nem que iniciamos a sua prática, pois não?

Tudo está passado de moda e é necessário reformar o país, tanto a nível social como cultural, e essa renovação deve nascer na Educação ( a educação é a base de tudo). O problema é que até a educação está, também ela, a precisar de reformas profundas e estruturais (será tema para outra discussão) e nem sequer se sabe que tipo de educação se pretende, mas o problema não vem de agora, data já de algumas décadas.

O mundo evoluiu excessivamente, pensou-se haver espaço para tudo e para todos e a cada vez se apercebe mais que assim não o é e que há limites, não somos todos iguais.

A sociedade que crítica o jovem do brinco ou rapariga do piercing foi a mesma que não os soube educar de forma adequada. Porquê? Porque foi essa mesma sociedade insistiu em adiar o inadiável: o pensar de um futuro, um delinear de objectivos e princípios essenciais à vida enquanto sociedade.

Queixam-se mas nós não temos culpa, estamos agora a aprender a viver; muitos ainda nem sequer se aperceberam da tarefa que nos espera. Por isso mesmo, é com desagrado e preocupação que noto, eleição após eleição, o aumento da abstenção, o aumento crescente do desinteresse (aqui não só dos jovens mas de todos) pela política e pelo país. Fruto da má política que se faz em Portugal, fruto das oposições desmedidas e sem fundamento, onde se diz não por se ser do contra e nunca por ser melhor ou pior para o país.

Bela herança esta a de mudar mentalidades, hábitos etc., enfim, uma sociedade inteira que está à beira de um ataque de nervos e que reclama urgentemente por um Xanax!

Habituaram-nos ao facilitismo, mas aprendemos por nós próprios o valor das coisas e vamos lutar por elas!
Afinal, ainda falta realizar a revolução da nossa geração, a mais difícil de todas: a cultural!

Olha o que ele diz...

ELOGIO DE PORTUGAL, UN PAÍS CON UNA FEROZ LIBERTAD DE
EXPRESIÓN, DEL QUE LOS ESPAÑOLES TENEMOS MUCHO QUE
APRENDER

Muchos españoles están descubriendo estos días, aparentemente
sorprendidos, la existencia en la casa de al lado de un vecino llamado
Portugal, un vecino bastante más pobre que nosotros pero capaz de organizar
una evento tan importante como un Campeonato de Europa de fútbol, de
construir una serie de estadios, todos magníficos, de ganar a la millonaria
selección española, e incluso de colocar como presidente de la Comisión
Europea a uno de sus políticos, José Manuel Durao Barroso.
Ese país, cuya selección jugó y ganó ayer la primera semifinal de dicho
campeonato contra Holanda, lo cual ya es de por sí un triunfo, sigue siendo
un gran desconocido para España y los españoles. ¿Por qué? Porque los
españoles, con la inveterada suficiencia de quien se cree superior, se han
negado siempre a entender –en realidad ni siquiera lo han intentado- a
Portugal y los portugueses.
Cuando la realidad es que España y los españoles tendrían –tendríamos-
mucho que aprender de nuestros vecinos atlánticos. Aprender y lamentar la
ausencia en España de esa elite intelectual, empresarial y política que habla
idiomas, elite muy cercana a Gran Bretaña y a la cultura francesa, muy poco
hispanófila, pero muy tolerante, muy abierta, muy cosmopolita.
En Portugal sería impensable contar con un presidente de la República que
no hablara francés e inglés. La mayoría de los portugueses se esfuerzan por
hablar español ante españoles, haciendo gala de una actitud cívica en el trato
que tan difícil es de encontrar en el páramo hispano.
El presidente, Jorge Sampaio, vive en su casa, en su propio domicilio, como
el primer ministro. A ninguno le da por convertirse en un Trillo. Nadie
enloquece con el cargo. Nadie se prevale de su condición. Antonio Vitorino,
actual comisario europeo, dimitió de su cargo como ministro –socialista, por
cierto- tras descubrirse un desfase de 8.000 escudos (unas 6.000 pesetas) en
las cuentas de su ministerio.
Semanas atrás, el presidente ZP se trasladó a Lisboa en su primera visita
relámpago al país vecino, y no se quedó a cenar con Durao Barroso a pesar
de haber sido invitado. Todo un síntoma. Vistas así las cosas, no es extraña
esa inveterada desconfianza que comparte la clase política portuguesa hacia
España, desconfianza que la prensa se encarga de mantener viva. Sus razones
tendrán.
Todo el edificio de ese Portugal Abierto –la vieja aspiración de quienes aquí
persiguen una España Abierta capaz de superar sus viejos atavismos- se
asienta seguramente sobre una feroz libertad de expresión que todos
defienden y que se manifiesta en los debates –políticos, económicos- que se
celebran en la televisión y en los textos que aparecen en diarios y semanarios
(de gran importancia en el país vecino).
Comparar esa libertad de prensa, ese valor cívico del que hacen gala las
elites portuguesas para hablar alto y claro, y criticar lo que juzgan merecedor
de crítica, con el miedo a hablar de nuestros ricos, de nuestros empresarios,
de nuestros políticos, fieles devotos de la ley del silencio, y con el secretismo
y la rendición a los poderes políticos y económicos que hoy caracteriza a la
prensa española –no digamos ya a la televisión- es como para echarse a
llorar. ¿De qué presumen, entonces, los españoles ante Portugal y los
portugueses? Ese es, sin duda, uno de los grandes misterios de la Historia
Universal.
Jesus Cacho

Esta é a visão de um espanhol que elogia Portugal como o farão muito poucos portugueses.
Quando é que nascerá no coração dos portugueses a consciência de que Portugal é bom e pode ainda ser melhor com união e empenho!

É ridicula a situação de Portugal no momento.
Toda e qualquer pessoa se sentem no dever e condição de crítiticar tudo e todos e o governo tem sempre culpa dos males do país!

Está na hora de menos queixas e mais esforço!
A oposição política não pode dizer sempre não a tudo o que governo propõe; é necessário pensar-se no país e na construção de um Portugal com um futuro sólido.

Basta de politiquices, é preciso governar!

A juventude europeia

Como é óbvio, as juventudes do mundo são diferentes, mas quais as particularidades da juventude europeia? Quais as suas expectativas, tendências, inquietações e reivindicações?
Segundo os dados do Eurobarómetro – sondagem de opinião sobre a juventude, realizada em 2001 e publicada no ano passado – revela que os jovens, apesar das críticas, acreditam que o sistema educativo é a estrutura que melhor prepara para a vida activa na sociedade seguindo-se a família e outras; curioso é o facto dos jovens pensarem que a televisão os prepara melhor para a vida em sociedade que os partidos políticos!
Esta corrente de opinião, se assim se lhe podemos chamar, revela-se no fraco interesse dos jovens pela vida associativa, visto que 50% dos inquiridos não pertenciam a qualquer associação e que, da metade restante, 28% faziam parte de clubes desportivos sobrando apenas 22% para grupos amadores, associações culturais, juventudes partidárias e outras!
A sondagem revelou ainda que o número de jovens a utilizar o computador duplicou desde 1997!! Será que é esta a causa para tão fraca participação associativista dos jovens europeus? Não acredito, visto a actividade preferida dos jovens europeus ser estar com os amigos. Talvez deva haver mais promoção das actividades e finalidades das associações, algo que motive os jovens à participação nas mesmas; caso contrário, não faz sentido a sua existência!
As expectativas dos jovens de hoje prendem-se sobretudo com a independência financeira, mas somente um terço dos jovens europeus vive fora da casa dos pais (e grande parte desse facto deve-se sobretudo a práticas culturais como é o caso da Grã-Bretanha, onde aos 18 anos se vai morar com os amigos) e a maior parte dos recursos financeiros de que dispõem, provém dos pais ou de outros familiares.
Curioso, é também, o facto de um em cada três jovens considerarem que, no seu país, existem demasiados estrangeiros e um cada dez considera que os estrangeiros deveriam regressar aos seus países. Estará a juventude europeia a tornar-se racista e/ou xenófoba devido à invasão de emigrantes que se têm registado nos últimos anos? Não o creio, mas o facto das más políticas governativas, nomeadamente no que concerne a saídas profissionais e empregabilidade, que têm o seu reflexo no número crescente de jovens desempregados, poderá de facto levar parte dos jovens a pensar que são os estrangeiros a causa do seu desemprego.
Para a juventude de oito dos quinze países da União Europeia, esta instituição representa, em primeiro lugar, a possibilidade de viajar, estudar e trabalhar sem fronteiras! Ainda assim, cerca quatro em cada dez jovens nunca saíram do seu país e três em cada dez não falam nenhuma língua estrangeira!
Esta juventude é ainda viciada no telemóvel (não é novidade), uma vez que 80% dos jovens o utilizam como meio de comunicação. O interesse na tecnologia é assim mais uma característica, uma vez que, em 1997, só um em cada dez jovens não utilizava nenhuma das tecnologias de informação e comunicação.
Com esta juventude houve, sem dúvida, uma queda dos modelos tradicionais: a saída de casa dos pais é mais tardia devido há dificuldade em arranjar emprego ou habitação, há menos garantias de sucesso no início da vida activa, etc. no entanto e apesar de mais individualista, a juventude reivindica o seu papel na sociedade, em parte devido ao revolucionário mundo das novas tecnologias, que compensa - não da melhor forma, no meu entender – o fosso entre estruturas políticas, e associativas, e a juventude. As relações sexuais são agora tidas como algo normal e ,mesmo antes do matrimónio, são não só melhor aceites, como são também uma prática corrente. Ao contrário, a juventude não se mostra muito favorável em relação à clonagem, casamentos entre homossexuais e introdução de organismos geneticamente modificados nos alimentos; um em cada quatro é ainda favorável à pena de morte.
É esta juventude que temos e somos.
Como definí-la? Sem dúvida: polémica.

sexta-feira, outubro 15, 2004

Discurso de D. Nun'Álvares Pereira

«Não falta com razões quem desconcerte
Da opinião de todos, na vontade,
Em quem o esforço antigo se converte
Em desusada e má deslealdade;
Podendo o temor mais, gelado, inerte,
Que a própria e natural fidelidade,
Negam o Rei e a Pátria, e, se convém,
Negarão, como Pedro, o Deus que tem.
(...)
Não sois vós inda os descendentes
Daqueles que, debaixo da bandeira
Do grande Henriques, feros e valentes,
Vencestes esta gente tão guerreira,
Quando tantas bandeiras, tantas gentes
Puseram em fugida, de maneira
Que sete ilustres Condes lhe trouxeram
Presos, afora a presa que tiveram?
(...)
Eu só, com meus vassalos e com esta
(E, dizendo isto, arranca meia espada),
Defenderei da força dura e infesta
A terra nunca de outrem sojugada.
Em virtude do Rei, da pátria mesta,
Da lealdade já por vós negada,
Vencerei não só estes adversários,
Mas quantos a meu Rei forem contrários.»
Luís Vaz de Camões
É incrível a actualidade desde discurso e a forma como se adapta ao Portugal de hoje.
É necessário reconquistar Portugal e criar o Quinto Império!!
Valete frates
É a Hora - Fernando Pessoa